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Prêmio São Paulo de Literatura 2009 ATIVIDADES EM SÃO PAULO

Participo nesta segunda-feira, 06/07, de uma série de atividades promovidas pela organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, do qual meu romance Rita no Pomar é um dos finalistas. Às 13h30, junto com os escritores Maria Esther Maciel e Marcus Vinicius de Freitas, ambos professores da UFMG, darei entrevista à Radio UNESP. Na entrevista irei tratar de minha obra. Às 14h30, gravarei – para a produtora Mamute Filmes, na Livraria Cultura do Conjunto Nacional – a minha participação no vídeo que será exibido, dia 03/08, na cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura, a ser realizada em São Paulo (Museu da Língua Portuguesa), na qual se farão presentes todos os finalistas do Prêmio. Às 18h00, junto novamente com Maria Esther Maciel e Marcus Vinicius de Freitas, participarei do debate “Escritores que Ensinam” na Livraria Cultura. Os amigos e colegas escritores que vivem em São Paulo estão todos convidados!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 14h13
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Lançamento LIVRO SOBRE LEITURA

Marisa Lajolo (Unicamp) e Regina Zilberman (UFRGS) lançaram neste 30 de junho, na Livraria da Vila (SP), Das tábuas da lei à tela do computador – A leitura em seus discursos. O livro está saindo pela Ed. Ática. A sinopse: “Marisa Lajolo e Regina Zilberman discutem neste livro as sutis e complexas relações que se estabelecem entre oralidade e escrita, literatura e história, jornais e livros, e outras tantas personagens que protagonizam os cenários da leitura num momento em que a cultura – mesmo a cultura letrada – transita por tantas e tão diferentes mídias. Com erudição, refinamento e bom humor, as autoras conduzem o leitor por leituras instigantes de discursos aparentemente tão diversos quanto tragédias clássicas, literatura de cordel, campanhas de incentivo à leitura e anúncios publicitários. Assim, numa viagem pelo mundo das letras, dos livros e dos leitores, percorrem caminhos que vão desde Moisés, na antológica cena bíblica em que lhe são confiadas as tábuas da lei, até os blogues contemporâneos, cuja linguagem irreverente às vezes tira o sono a professores. Constituído de ensaios sutilmente interligados, Das tábuas da lei à tela do computador – A leitura em seus discursos revela um universo fascinante de temas surpreendentes, tratados por quem entende do assunto.” A obra, nas boas livrarias e sites de vendas, custa 35,90. Vale a pena conferir!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 22h41
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Matéria CHICO BUARQUE É FONTE DE INSPIRAÇÃO PARA NOVOS TRABALHOS
por Carolina Noury
(in: Jornal O Estado RJ, 27/06/2009) Chicomania, vulgo Chico Buarque. Ele está na moda! Recentemente, o compositor lançou o livro Leite Derramado, teve o romance Budapeste adaptado para o cinema, foi inspiração para a peça Meu caro amigo, teve a releitura da peça Gota d’água (escrita por Chico e Paulo Pontes), e ainda é homenageado por grupos de música como Mulheres de Chico (MDC), Mulheres de Hollanda e a banda Seu Chico, formada só por homens. O bloco Mulheres de Chico, integralmente feminino, idealizado pelas cuiqueiras Gau Cabral e Vivian Freitas, surgiu em 2006. Formado por cerca de 30 batuqueiras vindas de diversos blocos do Rio (Monobloco, A Rocha, Bangalafumenga) e das mais variadas áreas de atuação, que têm em comum a admiração por Chico. Gau contou que o projeto MDC, antes um bloco de carnaval, amadureceu e passou a ser convidado a tocar nas principais casas do Rio, mas sem perder a característica percussiva. Além do samba, o grupo toca côco, maracatu, xote e funk. O grupo Mulheres de Hollanda é formado por cinco mulheres, e o repertório? Só Chico, é claro! Apesar da mesma influência, o trabalho de cada grupo é bastante diferente. “O trabalho diferenciado dos dois grupos não nos deixa dúvidas de que a obra de Chico merece ser difundida da maneira que for. Cada um com sua visão, com sua personalidade”, explicou Karla Boechat, uma das cantoras do Mulheres de Hollanda.
O que é que o Chico tem?
Chico Buarque é referência na música popular brasileira. Sua obra influenciou, e ainda influencia, o trabalho de diversos artistas. “O requinte melódico, harmônico e poético que suas obras apresentam é decisivo em praticamente tudo que aconteceu musicalmente no Brasil nos últimos 35 anos”, afirma Karla Boechat. E por que Chico? Quem explica é a Gau Cabral. “Tentando resumir a razão dessa escolha, nós costumamos dizer que o MDC é uma singela e bem-humorada homenagem ao poeta que melhor expressa a alma feminina e a malandragem carioca”. Na opinião do escritor e organizador do livro Chico Buarque do Brasil, Rinaldo de Fernandes, “Chico Buarque é, para a MPB, sinônimo de grande qualidade. Sua qualidade não é só propriamente musical, mas associada ainda a um modo de pensar refinado. Chico é um pensador do país e da sociedade brasileira contemporânea. Um cronista que traduziu, em letras extraordinárias, questões profundas. A MPB, se vista deste ângulo, é um luxo que temos”!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h58
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Informe ENCONTROS COM FINALISTAS DO PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 2009 
(in: site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, 19/06/2009) A partir de terça-feira (30.06), um ciclo de eventos promovidos pela Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo aproxima o público leitor e os 10 finalistas de cada categoria - melhor livro e melhor livro de autor estreante - do Prêmio São Paulo de Literatura 2009. O resultado do prêmio, que concede R$ 200 mil para o vencedor de cada categoria, será anunciado no dia 3 de agosto, no Museu da Língua Portuguesa. São seis eventos gratuitos, abertos ao público, incluindo um happy hour com os escritores. A Livraria Cultura, a Casa das Rosas, a Livraria da Vila e até o bar Mercearia São Pedro, o mais literário dos bares de São Paulo são os locais onde escritores e leitores vão se encontrar para conversar, pensar e vivenciar a literatura. O escritor João Gilberto Noll abre a série de eventos, na Casa das Rosas, na terça-feira (30.06), das 19h às 20h30, com leitura e discussão de trechos de suas obras, incluindo o livro que concorre ao Prêmio, Acenos e afagos. A série de eventos inclui diferentes mesas de discussões como “Escritores que ensinam – com Maria Esther Maciel, Marcus Freitas e Rinaldo de Fernandes”, sobre o ofício de professor, segunda-feira (06.07), das 18h às 19h30; “Encontro de Gerações - com Moacyr Scliar e Altair Martins”, ambos gaúchos, porém em diferentes estágios da carreira e categorias do Prêmio, segunda-feira (13.07), das 19h às 20h30; “Escrever a quatro mãos e pela internet - com Vanessa Barbara e Emilio Fraia”, que juntos tiveram esta experiência na criação do livro O verão do Chibo, quarta-feira (15.07), das 19h às 20h30; “A psicanálise e a filosofia na literatura – com Contardo Calligaris, Livia Garcia-Roza e Maria Cecilia Gomes dos Reis”, em que os dois primeiros, psicanalistas, encontram a professora de filosofia e tradutora de Aristóteles direto do grego para o português, segunda-feira (20.07), das 18h às 19h30. No happy hour com autores finalistas do Prêmio, na segunda-feira (27.07), das 19h às 20h30, estarão presentes escritores como Estevão Azevedo, Javier Arancibia Contreras, Carola Saavedra, Walther Moreira Santos e Ronaldo Correia de Brito. “O objetivo dos eventos é ampliar ainda mais o alcance do Prêmio, levando os escritores ao encontro do público que assim pode conhecer mais e melhor as obras e os autores. Por isso escolhemos formatos e lugares diferenciados para os bate-papos”, diz André Sturm, coordenador do Prêmio São Paulo de Literatura. “Também queremos dar continuidade às atividades da Secretaria de Estado da Cultura relacionadas à literatura, como o Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, que aconteceu no último final de semana de maio em São Francisco Xavier, em que se reuniram os vencedores e finalistas do Prêmio do ano passado”. Encontros com finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura 2009: Terça-feira (30.06) - Leitura comentada da obra de João Gilberto Noll
Com: João Gilberto Noll Horário: 19h às 20h30 Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista. Tel. (11) 3285-6986 / 3288-9447 70 lugares. Sujeito a lotação. Classificação etária: 14 anos Segunda-feira (06.07) - Escritores que ensinam Com Maria Esther Maciel, Marcus Freitas e Rinaldo de Fernandes
Horário: 18h às 19h30 Local: Livraria Cultura do Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073, Cerqueira César. Teatro Eva Herz. Tel. (11) 3170-4033 166 lugares. Sujeito a lotação. Classificação etária: 14 anos Segunda-feira (13.07) - Encontro de gerações Com Moacyr Scliar e Altair Martins
Horário: 19h às 20h30 Local: Livraria da Vila – Al. Lorena, 1731 – Jardins. Tel. (11) 3062-1063 60 lugares. Sujeito a lotação. Classificação etária: 14 anos Quarta-feira (15.07) - Escrever a quatro mãos e pela internet Com Vanessa Barbara e Emilio Fraia
Horário: 19h às 20h30 Local: Casa das Rosas - Av. Paulista, 37, Bela Vista. Tel. (11) 3285-6986 / 3288-9447 50 lugares. Sujeito a lotação. Classificação etária: 14 anos Segunda-feira (20.07) - A psicanálise e a filosofia na literatura Com Contardo Calligaris, Livia Garcia-Roza e Maria Cecilia Gomes dos Reis
Horário: 18h às 19h30 Local: Livraria Cultura Conjunto Nacional - Av. Paulista, 2073, Cerqueira César. Teatro Eva Herz. Tel. (11) 3170-4033 166 lugares. Sujeito a lotação. Classificação etária: 14 anos Segunda-feira (27.07) - Happy hour com autores finalistas do Prêmio Com Estevão Azevedo, Javier Arancibia Contreras, Carola Saavedra, Walther Moreira Santos e Ronaldo Correia de Brito
Horário: 19h às 20h30 Local: Mercearia São Pedro – R. Rodésia, 34, Vila Madalena. Tel. (11) 3815-7200 Sujeito a lotação. Classificação etária: 18 anos Veja abaixo a lista completa dos autores finalistas e respectivos livros do Prêmio São Paulo de Literatura (em ordem alfabética): Melhor Livro do Ano (de 2008):
Carola Saavedra, Flores azuis (Companhia das Letras) João Gilberto Noll, Acenos e afagos (Record) José Saramago, A viagem do elefante (Companhia das Letras) Lívia Garcia-Roza, Milamor (Record) Maria Esther Maciel, O livro dos nomes (Companhia das Letras) Milton Hatoum, Órfãos do Eldorado (Companhia das Letras) Moacyr Scliar, Manual da paixão solitária (Companhia das Letras) Ronaldo Correia de Brito, Galiléia (Editora Objetiva) Silviano Santiago, Heranças (Rocco) Walther Moreira Santos, O ciclista (Autêntica Editora) Melhor Livro do Ano - Autor Estreante (de 2008):
Altair Martins, A parede no escuro (Record) Contardo Calligaris, O conto do amor (Companhia das Letras) Estevão Azevedo, Nunca o nome do menino (Editora Terceiro Nome) Francisco Azevedo, O Arroz de Palma (Record) Javier Arancibia Contreras, Imóbile (7 Letras) Marcus Freitas, Peixe morto (Autêntica Editora) Maria Cecília Gomes dos Reis, O mundo segundo Laura Ni (Editora 34) Rinaldo de Fernandes, Rita no pomar (7 Letras) Sérgio Guimarães, Zé, Mizé, Camarada André (Record) Vanessa Barbara e Emilio Fraia, O verão do Chibo (Editora Objetiva)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h52
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Teoria literária ARTIGO DE RAIMUNDO CARRERO Em sua coluna recente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, o escritor Raimundo Carrero aborda as técnicas do solilóquio, do monólogo interior e do fluxo de consciência em literatura. Entre os livros abordados, está o romance Rita no Pomar. Confira!
CAOS É AQUILO QUE A GENTE NÃO ENTENDE por Raimundo Carrero
A boa loucura que ronda o uso de solilóquio, discurso indireto livre, monólogo e fluxo da consciência A confusão é geral. Ninguém se entende. Solilóquio passa por monólogo, monólogo vira fluxo da consciência, fluxo da consciência se perde num emaranhado de definições, indefinições, buscas e encontros, tudo isso formando um universo de certezas e convicções, de equívocos, de risos e trapalhadas, e, o que é justo, todo mundo tem razão. Cada qual com seu cada qual. Num mundo de pós-modernidade, é o que dizem e asseguram, a verdade - sem discussão filosófica - não é terreno privado de ninguém. Por isso mesmo vale um debate de letrinhas. Dois pra lá, dois pra cá, vai começar a festa. De caos em caos, a literatura enche as páginas. É comum encontrar pessoas chamando de monólogo o famoso solilóquio do "ser ou não ser, eis a questão" do Hamlet, de Shakespeare. Não pode ser - ali há um solilóquio, e o solilóquio é matéria do teatro, nasceu com o teatro, vive com o teatro. Brilha no palco. Ou no cinema. Solilóquio é uma conversa íntima e interna de personagem para personagem, dele para ele, pedindo ouvido e colo, dirigido à platéia. Uma conversa para o horror da alma mesmo e com a esperança de que alguém o escute. Isso é fundamental. É básico. Assim, sem tirar nem pôr: sem ouvido não há solilóquio. Por isso deve ser lógico, coordenado, organizado. Pode estar no romance, na novela, no conto. Como técnica, sim. Hamlet: Ser ou não ser - eis a questão. Será mais nobre sofrer na alma Pedradas e flechadas do destino feroz Ou pegar em armas contra o mar de angústias - E, combatendo-o, dar-lhe fim? Morrer; dormir; Só isso. Se alguém gosta de monólogo, às vezes, monólogo interior, então tudo bem. Chame-o como quiser. Tratando-se, portanto, de uma técnica, não deve ser lei nem regra. Mas se for possível consultar uma gramática que tem área para a estilística, pode-se observar com clareza: solilóquio é diferente de monólogo. E bem diferente. Só mais uma coisa: no solilóquio o personagem está sob o domínio do narrador, feito ventríloquo. No monólogo o personagem tem liberdade. Está livre de tutela ou de comando. Fica só, sozinho, somente. É tresloucado. O monólogo é completamente diferente do solilóquio, pois sim. É típico da prosa de ficção. Sabe por quê? Porque não exige o ouvido, não pede o testemunho de ninguém. E como não pede ouvido nem o testemunho de ninguém não precisa ser organizado, coordenado, lógico. Precisa de olhos, feito namoro e paixão. E, é claro, de mentes. Basta uma olhada no Ulisses, de Joyce. E, brasileiramente, do monólogo de Autran Dourado, em A barca dos homens. É fácil perceber que o pensamento do personagem não segue nenhuma direção lógica. Desaparece, muda de rumo, some. Faz caminhos nunca dantes navegados, com a licença de Camões. Um exemplo de monólogo, em Ulisses: E um desses espartilhos ajustadinhos eu queria anunciados como baratos na Fidalga com nesgas elásticas nas ancas ele endireitou o que eu tenho mas não é bom que é que eles dizem eles fazem uma deliciosa silhueta. E o fluxo da consciência? Aí, camarada, a porca torce o rabo, a vaca tosse e arara canta. Tudo trancado num quarto escuro, apertado e sem janelas. O solilóquio é lógico? Sim. O monólogo é ilógico? Sim. E o fluxo da consciência é o quê? Não é também ilógico? Sim, mas tem um passo adiante, é só enfiar os olhos no papel. O narrador precisa encontrar o inconsciente do personagem e expressar os pensamentos, a mente desorganizada e revelar barulhos, confusões, lembranças, memórias, tudo numa rapidez impressionante, sem atropelos mas com estrutura inimitável. A ilógica do monólogo é pouco, precisa ir até às aliterações, às rimas, ao jogo interno das palavras inteiras, cortadas, unidas, desfalcadas. É inimitável, também segundo Autran Dourado, que é exigente: O que é importante no stream-of-consciousness de Finnegans Wake é a sua mudança de ritmo. As elipses, os lapsos, as aliterações, são o que fazem da obra final de Joyce uma obra maior do nosso tempo... Confundi-lo com estilo indireto livre ou o solilóquio é um erro de conseqüências fatais para quem o pratica.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h53
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E com o monólogo também. O exame continua com este exemplo de Joyce, tão diferente do monólogo. Vejam bem: Salamangra! Ai, ai, ai! Cheridas gênias, figatrifutrem-se! Ri eu, ri Ana. Wallenton. Essa foi a primeira putada de Wellenton, taco a taco. Hi! Hi! Hi! Este sou eu, Belchum com suas borrachosas de doze éguas chuá, chuá, chuá... Há também autores que procuram o fluxo da consciência a partir do monólogo. É claro: todo monólogo leva ao fluxo, mas nem todos sabem disso. Não é um desinformado; apenas não se preocupou com isso e tem toda razão: ficção é um ato individual e o autor pode ou não se tornar senhor de sua criação, sem qualquer conhecimento técnico. Outros conhecem o terreno em que pisam. Basta ver o caso do paraibano Rinaldo de Fernandes, em Rita no pomar, um romance e tanto. Ali o monólogo vai pouco a pouco cedendo espaço ao fluxo, porque a confusão mental procura a rapidez e, na rapidez, encontram-se os barulhos, os ruídos, as aliterações já assinaladas. O que há, ainda, é uma pequena confusão: há o fluxo da consciência na psicanálise, amplamente usado na literatura. Tudo bem. É um direito do escritor e um direito do crítico. Pode e deve ser usado. Mas em se tratando de literatura, deve-se usar a técnica criada e desenvolvida por Joyce. Costumo mesmo dizer, e até por brincadeira aos meus alunos da Oficina de Criação Literária que tudo pode e nada pode, depende de quem escreve. O que é correto é que a literatura precisa celebrar as suas conquistas e ir adiante com elas. Sem censurar qualquer pessoa, no entanto. Como já disse, no outro parágrafo, Rinaldo usa um fluxo da consciência excelente, que é tratado como monólogo. São coisas bem diferentes. Começa monólogo, é verdade, mas quando o autor paraibano usa as aliterações e as rimas, por exemplo, sai de um campo para outro, e avança. Avança muito. Numa técnica bem pouco explorada e, segundo Autran Dourado, inimitável. Rinaldo não imita. Cria a sua própria técnica, usando os elementos próprios da técnica em debate. Sem esquecer, ainda, que o fluxo começa a nascer com o discurso - diálogo - indireto livre, criado e também usado por Flaubert, porque esse tipo de técnica representa mesmo uma espécie de conversa entre o narrador e o personagem, sem qualquer sinal de intervenção, além da mudança do tempo verbal. Exemplo: Maria não vai ao cinema, porque não quer sair com o namorado.
É só prestar atenção. O narrador diz: "Maria não vai ao cinema", mas é a própria Maria quem afirma "porque não quer sair com o namorado". A mudança do tempo verbal é bem clara: "não quer", ao invés de "não quero". Se deixar "quero", transforma-se em diálogo indireto, com muita clareza. Por quê? Porque a voz de Maria fica muito clara, muito objetiva, e não esconde, porque assim dizer, a resposta da personagem. Depois desse discurso indireto livre, vem a criação do monólogo, que não começa com Joyce, mas com Eduard Djardin, escritor francês do século 19, e muito pouco publicado no Brasil. Há edições esparsas aqui e ali. Joyce percebeu o caminho, aprofundou o monólogo e voou para mais distante ainda criando o fluxo da consciência. O solilóquio, porém, é mais antigo, bem mais antigo, e foi mais usado por Shakespeare, sobretudo naquele exemplo já citado. Um caminho objetivo: Solilóquio, discurso indireto livre, monólogo e fluxo da consciência. Mario Vargas Llosa avançou com os monólogos entrecruzados, o que também é uma novidade, a partir de A casa verde e chegando à sua sofisticação em Conversa na catedral, que entrecruza várias narrativas e usa esses monólogos entrecruzados. Esses são os caminhos que devemos ou não percorrer. Uma questão de preferência ou de liberdade. Pura liberdade para quem quer criar asas. Cada um entende à sua maneira. E cada um tem razão. No campo criativo não há verdades absolutas. Ou permanece a pergunta: Caos é aquilo que a gente não entende? Não custa ouvir, mais uma vez, Autran Dourado: "Na verdade, confesso humildemente, não consigo entender". Está aberta a temporada de debates. Para nossa sorte. NOTA: A coluna de Raimundo Carrero é publicada originalmente no jornal Pernambuco, de Recife. A republicação no Rascunho é uma parceria entre os dois veículos.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h43
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Mensagem CARTA DE IVAN JUNQUEIRA
Recebi uma pequena carta do poeta e ensaísta Ivan Junqueira, membro e ex-presidente da Academia Brasileira de Letras. Ivan, que é uma pessoa muito educada, respondeu ao envio que lhe fiz do romance Rita no Pomar com uma mensagem bastante incentivadora. Eis o que ele me diz na carta: Meu prezado Rinaldo: Eu já conhecia a sua prosa daqueles admiráveis contos de O Perfume de Roberta, que li em Havana, na condição de jurado do Prêmio Casa de Las Américas em 2006, quando premiamos Um defeito de cor, de uma autora mineira. Rita no Pomar ratifica o que eu percebera na minha leitura em Cuba, ou seja, uma curiosa mistura de transgressão e lirismo na análise da sempre dolorosa condição humana, o que torna seu romance um testemunho emocionado e perturbador da solidão contemporânea. Abraço afetuoso do Ivan Junqueira
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 20h26
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Entrevistado do mês ENTREVISTA EXCLUSIVA COM LIRA NETO

Lira Neto, 45 anos, é jornalista e biógrafo. Escreveu, entre outros livros, Castello: a marcha para a ditadura (Contexto, 2004), O Inimigo do Rei: uma biografia de José de Alencar (Globo, 2006 – Prêmio Jabuti/Melhor Biografia no Ano) e Maysa: só numa multidão de amores (Globo, 2007). Atualmente trabalha numa biografia do Pe. Cícero, a sair pela Companhia das Letras. Cearense, vive em São Paulo. Rinaldo de Fernandes – Você é biógrafo do escritor José de Alencar e da cantora Maysa, entre outros. O que é mais definidor na hora de produzir uma biografia, a força do personagem ou a importância dele para a época em que viveu? Lira Neto – As duas coisas. Mas o que realmente define meu interesse por um possível biografado é a radicalidade de sua existência. Não me interesso por biografar personagens que levaram vidas em linha reta. Gosto das existências em sobressalto, dos assombros íntimos, das montanhas-russas existenciais. Uma boa biografia precisa desnudar e tentar compreender as contradições do biografado, sem procurar justificá-las, aplainá-las ou perdoá-las. Por isso, acredito que a biografia é um gênero essencialmente transgressor, necessariamente incômodo para o próprio biografado – ou, na maioria dos casos, para seus herdeiros. No mais, é preciso ter uma boa história para contar. E querer contá-la bem. Creio que vem daí boa parte do apelo popular das biografias. Nelas, está explícito o prazer e o sabor das grandes narrativas. Hoje, quando a literatura em prosa mergulha cada vez mais fundo nos experimentalismos formais, na luta incessante com a própria palavra, existe uma visível necessidade de deixar-se levar por um bom enredo, de ouvir boas histórias. Talvez, por isso, as biografias arrebatem tantos leitores. Rinaldo de Fernandes – Você é também jornalista. O que há de jornalismo e de literatura numa biografia? Lira Neto – Sou, em essência, um repórter. Meus livros são reportagens históricas. Faço jornalismo, sempre. A diferença é que, como trabalho em cada livro cerca de dois, três anos, não estou submetido à pressão do tempo e do espaço, tão típica do jornalismo de jornal ou revista. Se há algo de literatura em meus livros, isso se dá no tratamento mais elaborado do texto, no cuidado maior com a frase, no lapidar cada parágrafo com mais rigor do que se fosse um texto para ser lido em um dia e, no outro, servisse apenas para embrulhar peixe na feira. Só isso. Incomoda-me um pouco o termo “jornalismo literário”, tão em moda atualmente. Parece-me que o adjetivo “literário”, por vezes, é utilizado para dar certo ar de nobreza ao substantivo “jornalismo”. Bobagem. A maior parte do que chamam por aí de “jornalismo literário” é apenas bom jornalismo. Também é preciso evitar o risco, ao se discorrer sobre o presumido parentesco entre biografia e literatura, de se considerar que o biógrafo possa lançar mão dos inesgotáveis recursos da imaginação. O trabalho do escritor de biografias está circunscrito às fontes. Ele trabalha com os fatos – ou, quase sempre, para desnudar a construção histórica do que chamamos de “fatos”. Rinaldo de Fernandes – Como foi a elaboração da biografia de José de Alencar? Qual a importância dele para a literatura brasileira? Lira Neto – À época, quando anunciei para dois colegas jornalistas que estava escrevendo uma biografia de José de Alencar, eles tentaram me desanimar daquela tarefa. “Já se escreveu tudo sobre ele”, argumentou um. “Não existem mais fontes primárias a serem exploradas”, ponderou-me outro. Os dois estavam redondamente errados. Mergulhei em arquivos empoeirados do século 19 e descobri um material fascinante, inclusive textos de Alencar inéditos em livro. É verdade que já existiam, pelo menos, seis biografias relevantes de Alencar, ainda que encontráveis somente em sebos. Mas costumo dizer que uma vida não cabe inteira em um livro. Há sempre um aspecto novo a ser explorado, um ângulo diferente de abordagem, uma perspectiva singular sobre o mesmo objeto. Alencar é o marco zero da literatura brasileira. Além disso, foi um polemista nato, um eterno criador de casos, um esgrimista da palavra, um indivíduo irrequieto, bem diferente da imagem fossilizada do escritor adocicado e casmurro que a escola nos apresenta. A escola, aliás, faz um mal terrível à literatura, especialmente em relação aos clássicos. Empurra Alencar e Machado goela abaixo de crianças e adolescentes antes da hora, sem nenhum critério ou trabalho prévio. O resultado é que a maioria dos jovens cresce odiando Alencar, detestando Machado.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 02h16
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Rinaldo de Fernandes – Você escreveu um artigo na Folha de S. Paulo criticando a minissérie da Rede Globo sobre Maysa. O que você não gostou da minissérie? Lira Neto – Certa vez, perguntaram a Rachel de Queiroz se ela gostara do resultado da minissérie global adaptada de seu romance Memorial de Maria Moura. Rachel, com o senso de humor que lhe era peculiar, sapecou: “Eu gostei da minissérie. Eles é que não gostaram de meu livro, pois mudaram tudo”. Blagues à parte, é compreensível e inevitável que a adaptação de um livro para as telas – seja para a telinha ou para a telona – distancie-se da obra original. Trata-se de uma outra obra, de um outro produto. Isso é fato. O problema é quando se tenta adaptar uma biografia e, em vez da história de vida do personagem, prefira-se lançar mão da ficção para amarrar um roteiro frouxo. Rinaldo de Fernandes – Você está no momento produzindo a biografia do Pe. Cícero. Em linhas gerais, que personagem é este? Qual a importância dele para a cultura e a religiosidade nordestinas? Lira Neto – A história do padre Cícero Romão Batista é a mais mirabolante que se possa imaginar. Se você colocasse Gabriel García Márquez em um deserto e desse a ele um chá alucinógeno, nem assim o mestre do realismo fantástico conseguiria conceber uma narrativa tão permeada de elementos tão típicos do conto maravilhoso. A biografia – que será lançada pela Companhia das Letras – procura compreender quem foi, afinal de contas, esse homem chamado Cícero. Busca entender como no caso dele a narrativa mítica se sobrepôs à narrativa histórica. Procura desvendar como foi possível um padre sertanejo, que rezava missa numa pequena capela localizada no oco do mundo, tornar-se o maior e mais controvertido líder espiritual e chefe político do Brasil. É disso que trata o livro. Em suma, a vida de padre Cícero é uma dessas histórias que me fazem lembrar uma frase do jornalista norte-americano Gay Talese, autor de livros extraordinários e considerado o papa do tal “jornalismo literário”. Diz Talese, com toda razão: “Há muito acredito que o realismo é fantástico”. Rinaldo de Fernandes – Você também escreveu uma biografia de Castello Branco. Qual a importância dele para os desdobramentos da ditadura de 64? Teve mesmo resistência do Exército e da família dele para a produção do livro? Lira Neto – Tive acesso ao acervo particular de Castello, que se encontra na Escola de Comando e Estado Maior do Exército, na Praia Vermelha, Rio de Janeiro. Mas a filha de Castello, dona Antonieta Castello Branco, não encontrou tempo para me receber, ao menos por cinco minutos, ao longo dos três anos nos quais me dediquei ao trabalho de biografar o pai dela. Em Castello: a marcha para a ditadura, mergulho não só nos bastidores do golpe e na vida privada do biografado, mas também na história política e militar ao longo de todo o século 20 no Brasil. O personagem central, Castello Branco, serve de fio condutor de uma narrativa que mostra como os quartéis, no transcurso daquele século, várias vezes se arvoraram em árbitros da vida pública nacional, promovendo intervenções armadas, golpes de mão e quarteladas. Ao final, o curioso é perceber como um soldado profissional, um militar contrário à interferência da caserna na política, um autoproclamado paladino da legalidade, vai assumir o posto de primeiro presidente da ditadura pós-64. Rinaldo de Fernandes – De todos os seus biografados, qual o que mais o atraiu? E, após o Pe. Cícero, qual será o próximo? Lira Neto – Cada biografado tem seus desafios – e o livro que mais atrai é sempre aquele que está sendo escrito. Padre Cícero, atualmente, ocupa este lugar. Nem penso ainda no próximo, de tão mergulhado que estou nesse trabalho. Creio que será meu melhor livro até aqui. Aguardemos. (Leia as entrevistas anteriores do Blog: Moacyr Scliar em 12/12/2007; Nelson de Oliveira em 17/01/2008; Glauco Mattoso em 11/02/2008; Fabrício Carpinejar em 03/03/2008; André Sant’Anna em 23/03/2008; Luiz Ruffato em 27/04/2008; Fernando Bonassi em 20/05/2008; Marcelo Mirisola em 07/06/2008; Marçal Aquino em 21/07/2008; Ricardo Soares em 18/08/2008; Marcelino Freire em 13/09/2008; Raimundo Carrero em 27/10/2008; Hélio Pólvora em 14/12/2008; Ronaldo Correia de Brito em 30/03/2009; Affonso Romano de Sant’Anna em 26/04/2009; Daniel Piza em 25/05/2009) Próximo entrevistado: José Nêumanne Pinto (a confirmar)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 01h59
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Valorização do escritor SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 2009

Impecável, é a palavra. Extremamente competente e profissional a organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, do qual meu romance Rita no Pomar é finalista. Os organizadores do Prêmio já definiram a programação para os autores finalistas. Durante o mês de julho, os escritores finalistas, nas duas categorias (veteranos e estreantes no gênero romance), participarão de bate-papos com leitores em alguns locais de São Paulo: Livraria Cultura, Livraria da Vila e Casa das Rosas. Dia 6 de julho, participarei, na Livraria Cultura, a partir das 18h00, de um bate-papo junto com os escritores Marcus Vinicius de Freitas e Maria Esther Maciel (Silviano Santiago ia participar desta mesa, mas deu problema com a agenda dele). O tema do bate-papo será: "Escritores que ensinam". Eu dou aulas de literatura na UFPB e os dois colegas escritores ensinam na UFMG. Acho que vai ser um encontro bastante interessante. Os organizadores, que, semana passada, nos solicitaram fotos em alta resolução para produzir material de divulgação, acabam de informar que contrataram a produtora Mamute Filmes para a realização de um vídeo a ser exibido na cerimônia de anúncio dos vencedores do Prêmio. Em breve a equipe da produtora agendará, com todos nós, autores finalistas, depoimentos/gravação. Dia 3 de agosto, no Museu da Língua Portuguesa, será a cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura, com a presença de todos os concorrentes, nas duas categorias. A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, promotora do Prêmio, em parceria com as editoras, dará todo o suporte financeiro para que os autores finalistas se façam presentes nos bate-papos e na cerimônia final, inclusive pagando cachê de participição, hospedagem e transporte, além de inserção dos eventos na mídia. Bem, como escritor, e embora já tendo participado de vários outros eventos com bom nível de organização, me sinto honrado com um tratamento mais que profissional desses. É, sem dúvida, uma forma de valorização do autor - e, sobretudo, do livro. ROMANCES COM TARJA A organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 providenciou ainda tarjas (acima, foto da logomarca) com a inscrição "Premio São Paulo de Literatura 2009/ Finalista - Melhor Livro do Ano - Autor Estreante". Os exemplares do meu Rita no Pomar, segundo me informa o editor, irão para as livrarias, a partir de agora, com as tarjas oficiais de finalista do Prêmio. Já é um título para o livro, que se reveste, certamente, de maior importância aos olhos dos leitores e, mesmo, da crítica. Agora é aguardar a decisão final do júri. Acredito que todos os autores estão confiantes. E que vença, realmente, o melhor!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 11h14
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Coluna Rodapé Maio/2009 OS TEMPOS DO AMOR, SEGUNDO CHICO BUARQUE

por Rinaldo de Fernandes Sem sentimentalismo, antes com uma apurada compreensão filosófica, Chico Buarque, na canção “Todo o sentimento”, descreve os tempos da relação amorosa. Vejamos, estrofe por estrofe, que tempos são esses. Primeira estrofe (primeiro tempo: o da INTEIREZA): Preciso não dormir/ Até se consumar/ O tempo/ Da gente/ Preciso conduzir/ Um tempo de te amar/ Te amando devagar/ E urgentemente. Trata-se do tempo de toda a atenção – do zelo, do cuidado. Tempo da plenitude do ato de amar. E que deve se cumprir na calma (“devagar”), e, de tão decisivo para a felicidade, sem adiamentos (“urgentemente”). Segunda estrofe (segundo tempo: o da DEFESA): Pretendo descobrir/ No último momento/ Um tempo que refaz o que desfez/ Que recolhe todo o sentimento/ E bota no corpo uma outra vez. Na relação amorosa, nem tudo é inteireza, intensidade. O amor sofre ameaças, revezes. A chave desta estrofe está no verso “No último momento”, que atesta a idéia de uma crise que está encaminhando a relação para um fim, para um desfecho. Assim, esfrangalhada, ou correndo o risco de esfrangalhar-se de vez, a relação remenda-se – “refaz”-se em seus trapos. Há uma nova aposta no amor. O amor é defendido (o sentimento é posto “no corpo uma outra vez”). Terceira estrofe (terceiro tempo: o da CERTEZA): Prometo te querer/ Até o amor cair/ Doente/ Doente/ Prefiro então partir/ A tempo de poder/ A gente se desvencilhar da gente. Aquilo que, no “último momento”, foi suspenso ou evitado na estrofe anterior – o fim ou o desfecho da relação, por conta de uma nova investida no amor, ou da defesa deste – agora é fato. Chega, inevitável, imperioso, o instante da separação. Nada mais impede o “desvencilhar”-se – que é o mesmo que soltar-se, desprender-se. Trata-se de um rompimento, de uma retirada que decorre de uma convicção – a de que o amor debilitou-se, esgotou-se. Tempo da certeza. Quarta estrofe (quarto tempo: o da DELICADEZA): Depois de te perder/ Te encontro, com certeza/ Talvez num tempo da delicadeza/ Onde não diremos nada/ Nada aconteceu/ Apenas seguirei, como encantado/ Ao lado teu. Por fim, passa-se do tempo da certeza para o da “delicadeza”. O que dizer deste último tempo da relação amorosa? É o do amor que virou amizade? Talvez. Pode também ser o seguinte: o amor, que, no primeiro momento, foi zelo, cuidado; que depois se degenerou a ponto de quase se perder; que, afinal, sucumbiu, partindo em retirada – o amor, de algum modo, fixou-se nos (ex)amantes, deixou marcas. Como resquício, restará em suas memórias. Enquanto resquício, o (ex)amor, e quando menos se espera, repassa na memória, ressurge. E isto que nos persegue – a memória de um amor passado – parece mesmo um tanto delicado. E chega como um ente invisível, encantado. (Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba; para acessar as demais colunas, clique em www.rascunho.com.br, no link “Rodapé”)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h58
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Resenha de “Rita no Pomar”
TRÁGICO MONÓLOGO
por Carlos Ribeiro (escritor e professor da Universidade Federal da Bahia) (In: livro À Luz das narrativas: escritos sobre obras e autores – Salvador: Ed. da Universidade Federal da Bahia, 2009, pp. 205-207; o livro de Carlos Ribeiro terá lançamento nesta quarta-feira, 17/06, a partir das 18h00, na Academia de Letras da Bahia) Romance de Rinaldo de Fernandes é um convite à decifração, no qual o leitor, ao cabo de tudo, defronta-se consigo próprio, por trás de suas próprias máscaras. Rita no Pomar é o primeiro romance de Rinaldo de Fernandes. Pode-se, sem prejuízo da coerência, defini-lo como uma novela – ou, ainda, um conto, que, a partir do seu núcleo básico, do seu epicentro, expande-se em ondas que vêm, pouco a pouco, penetrando a sensibilidade do leitor, adquirindo novas tonalidades, multiplicando perspectivas, aprofundando a sua estranha e não pouco perturbadora ambigüidade. [...] Como toda boa literatura, o livro de Rinaldo é um convite à decifração, no qual o leitor, ao cabo de tudo, defronta-se consigo próprio, por trás de suas próprias máscaras. Como em alguns dos seus melhores contos, a exemplo de “O cavalo”, “Duas margens”, “O mar é bem ali” e “O perfume de Roberta”, Rita no Pomar guarda nas entrelinhas a sua vocação – que é a vocação, plena, de Rinaldo de Fernandes, como ficcionista. Por isso, a leitura dos seus textos, é, ao final, sempre, um convite à releitura. Como se diz na orelha do livro, de forma bem acertada, “Rita no Pomar parece, à primeira vista, um texto inofensivo”. Nele, encontram-se elementos aparentemente simples: uma jornalista, revisora de textos, que, após deixar a cidade de São Paulo, instala-se numa paradisíaca praia do litoral paraibano. Ali, sobrevive como garçonete, compra uma casa – vizinha à Casa do Pomar – numa praia semideserta e ocupa suas horas brancas escrevendo minicontos, preenchendo um diário caótico e conversando, longamente, interminavelmente, com o seu cão, Pet. Conversando? Seria mais preciso dizer, como o faz Silviano Santiago, no posfácio, realizando “um monólogo-a-dois, em que o cachorro é mero e indispensável acessório teatral”. É nesse monólogo, nesse intenso fluxo de consciência, que a narradora reconstrói, de forma fragmentária, mas sem que se deixe perder o fio narrativo, uma história, na verdade, uma travessia – dramática – mas uma travessia cujas margens mantêm-se, ao final, opacas, indistintas, inquietantes, pois que o seu sentido, se existe, prescinde totalmente de uma conclusão. Embora haja, ao final, uma revelação, uma revelação terrível que redimensiona os sentidos do texto, a história de Rita continua sendo uma espécie de castelo com passagens secretas e calabouços, apenas pressentidos, mas fora do ângulo de vista do seu incauto visitante. As palavras com as quais Rita se revela são as mesmas que a esconde. Quem é, de fato, Rita? Uma vítima de traições sucessivas, dos seus grandes amores – André e Pedro? Uma, como diz Silviano Santiago, “solitária e descontente com a sorte que lhe coube no latifúndio das grandes empresas jornalísticas e no submundo universitário das pequenas falcatruas”, que “migra para o Nordeste supostamente em pleno e alvissareiro desenvolvimento sustentável”? “Uma Medéia tropical, no melhor estilo serial killers de Hollywood”? O que podemos dizer, se não é possível afirmar sequer que o seu discurso é, de fato, verdadeiro, ou mesmo, real? Não importa. No reino da ambiguidade instaurada, o texto de Rinaldo tem a grande qualidade (e aqui me amparo mais uma vez nas palavras de Silviano) de oferecer ao leitor “uma forma bela e incompleta de ver o mundo fragmentado e degradado e as pessoas miseráveis e partidas que nele vivem.” A se expor, mais uma vez, a diáspora, só que, desta vez, num “sentido inverso”, diz Santiago, “são as vidas secas do Sul Maravilha que migram para o Nordeste”, com a intenção de “lavar a alma carcomida pela violência na metrópole”. Mas, nem aqui há uma saída, pois que, no texto implacável de Rinaldo de Fernandes, a violência, como um vírus, viaja com aquela que mais dele deseja livrar-se. Eis, portanto, um romance representativo da nossa tragédia – aquela mesma que você vê, como mera informação, pobre e descontextualizada, nas páginas dos jornais, nas telas das TVs. Rita no Pomar é um esforço – um admirável esforço – de compreendê-la. Carlos Ribeiro, além de escritor e professor da UFBA, é doutor em Letras e jornalista. Autor, entre outros, dos livros O chamado da noite (7Letras, 1997), Abismo (Geração Editorial, 2004) e Lunaris (Banco Capital, 2007). Leia as demais resenhas de Rita no Pomar clicando no site: www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=671
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h29
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Lançamento em breve VEM AÍ A ANTOLOGIA FUTURO PRESENTE  Confirmado: a coletânea de contos Futuro presente – dezoito ficções sobre o futuro, organizada por Nelson de Oliveira, terá lançamento nacional dia 5 de agosto (quarta-feira), em São Paulo, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915). A coletânea está saindo pela Ed. Record. Os autores que a integram são os seguintes: André Carneiro, Andréa del Fuego, Ataíde Tartari, Carlos André Mores, Charles Kiefer, Deonísio da Silva, Edla van Steen, Hilton James Kutscka, Ivan Hegenberg, Luiz Bras, Luiz Roberto Guedes, Márcio Souza, Maria Alzira Brum Lemos, Maria José Silveira, Mustafá Ali Kanso, Paulo Sandrini, Rinaldo de Fernandes e Roberto de Sousa Causo. Os contos se passam no Brasil de séc. XXIII. Participo da coletânea com “Onde está o agente?”. Mais à frente darei mais notícias!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 11h20
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Lançamento IVANA ARRUDA LEITE LANÇA SEU PRIMEIRO ROMANCE

O lançamento de Hotel Novo Mundo, primeiro romance de Ivana Arruda Leite (foto), será dia 23 de junho, às 19h00, na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo). O romance está saindo pela Editora 34. Com um conto baseado em “A Cartomante”, de Machado de Assis, a escritora colaborou com a antologia que organizei Capitu mandou flores (Geração Editorial, 2008).
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h45
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Resenha de “Rita no Pomar” UM PEQUENO GRANDE ROMANCE

por Ravel Paz* (in: site da Editora 7Letras)
Rita no Pomar é um desses livros que enganam: a aparente despretensão do título e o parco volume de páginas mal deixam perceber o que o primeiro romance de Rinaldo de Fernandes esconde. Suas 96 páginas – muitas delas com nenhuma ou pouquíssimas linhas – chegam a fazer duvidar de que se trata mesmo de um romance, ou seja, de uma narrativa que se alce além do episódico do conto, plasmando, de alguma forma – ainda que fragmentariamente, como é quase de regra no romance moderno –, uma totalidade existencial. Sem enveredar por questões teóricas, cumpre notar que justamente nisso – nessa prova de fogo – Rita no Pomar revela sua grandiosidade: como um pequeno frasco de uma essência mais viva que a de um perfume, e que ao final da leitura trouxéssemos partido em nossas mãos, é de toda uma vida que nos sentimos venenosamente inebriados quando fechamos o livro. A vida, evidentemente, dessa Rita, esse “caso” tão sui generis quanto sintomático das condições de vida e de discurso sobre ela que se produzem contemporaneamente. O artista, dizem frequentemente, é uma espécie de “antena”, que capta a realidade como que intuitivamente para investi-la das cores e formas de sua arte. Seja essa metáfora justa ou não – principalmente em vista de como esses dois gestos são inseparáveis –, o fato é que se sente em Rita no Pomar o quanto a sensibilidade para o mundo e suas micro ou macrotensões (e conflitos, e neuroses etc.) é fundamental na composição de um bom romance. Leiam-se as páginas em que Rinaldo nos apresenta, por meio de sua narradora-protagonista, a mãe desta: a afetação que emana de seus gestos e falas não exprime um dado da escrita autoral, mas testemunha o acuro no registro de dados exteriores que permitem vislumbres profundos do que se passa interiormente. A bem da verdade, sensibilidade e engenho são elementos que se complementam e, mais do que isso, potencializam mutuamente no romance de Rinaldo. Percebe-se isso quando se reconhece o quanto suas estratégias enunciativas são fundamentais na construção de sua densidade psicológica, sobretudo no jogo de ocultamento e desvelamento do interior de Rita que a narrativa opera o tempo inteiro: o diálogo com o cachorro Pet, os registros no diário e os pequenos contos autobiográficos configuram estratégias discursivas que arrastam sutilmente o leitor para um lusco-fusco, num mundo penumbroso que apenas ao final se deixa clarear em toda a sua espantosa realidade. “Toda”, é claro, nos limites de uma narrativa elíptica e fragmentária como exige a modernidade e o próprio senso de realidade – ou seja, o senso do incomensurável do outro – de Rinaldo, mas ainda assim o bastante para que tenhamos o sentimento vivo, como dissemos, de uma totalidade existencial. A Rita de Rinaldo soma-se assim à imponente galeria de grandes personagens femininas de nossa literatura. Passando ao largo de moreninhas excessivamente mornas, lembre-se a abrasiva Lúcia de Alencar (Lucíola), a Capitu de Machado (Dom Casmurro), tantas personagens de Clarice Lispector e, claro, a xará Rita Baiana, a habitante mais “fatal” d’O cortiço de Aluízio Azevedo; e ainda aquela outra Rita “matadora” que é a da canção de Chico Buarque. Ao mesmo tempo, no Pomar e em outros lugares por onde transita essa Rita paulistana exilada na Paraíba é toda a realidade de uma coletividade – naturalmente, a que habita esta nossa terra em brasas – que se deixa captar de forma não menos viva, e decerto que isso não é menos fundamental para tornar esse livro o pequeno grande romance que ele é. * Ravel Paz é doutor em Literatura Brasileira pela USP e professor da Universidade Estadual de Goiás. É autor – conforme já anunciado aqui no Blog – de um longo ensaio inédito sobre o romance Rita no Pomar. O ensaio deverá ser publicado em breve numa revista acadêmica. Leia as demais resenhas sobre Rita no Pomar clicando em: http://www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=671
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h54
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