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BLOG DA BELEZA - por Rinaldo de Fernandes


DOSTOIEVSKI BEM TRADUZIDO

 

       

 

“A coisa mais feia deste mundo é a realidade. Se um escritor deseja retratá-la com justiça, é preciso dominar uma forma literária que a copie – não é permitido dispensar a feiúra. Esse poderia ser o manual do escritor ensinado por Fiódor Dostoiévski (1821- 1881). Seu estilo era duro, porque ele via cruamente a aspereza do universo à sua volta. Até hoje depreciado como um autor de formas literárias rudes, Dostoiévski padeceu com as traduções indiretas feitas do inglês e do francês para o português. A história começou a mudar em 2000, com Memórias do subsolo, traduzido diretamente do russo por Boris Schnaiderman. O ápice desse processo é a tradução de Os irmãos Karamázov por Paulo Bezerra. Sob a chancela da Editora 34 e considerado a síntese das criações de Dostoiésvki, esse romance chega às livrarias em 5 de novembro, dentro de uma caixa com dois volumes, com 1.040 páginas e a R$ 98. Esta é a primeira edição efetivamente integral em língua portuguesa. Última obra de Dostoévski, escrita um ano antes de sua morte, em 1881, o romance é um esboço profético do século 20 e do começo do 21, quando o capitalismo mostrou suas faces mais selvagens.”

 

(In: O Estado de S. Paulo 06/10/2008 por Francisco Quinteiro Pires)

 

Leia a matéria na íntegra clicando em:

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20081005/not_imp253696,0.php

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h01
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FIM DE SEMANA COM RITA

 

 

Encerrando a série, trecho do capítulo 33 do meu romance Rita no Pomar, que acabou de sair pela editora 7 Letras (para adquirir a obra, além de livrarias como Cultura, Saraiva, Martins Fontes, Livraria da Vila, etc., clique em: www.7letras.com.br):

 

Ontem lembrei da mamãe comendo na cozinha. Foi. Ela ficava muito tempo na cozinha, depois ia pro quarto. Fazia xixi no banheiro e, tateando na parede, ia pro quarto. Eu, deitada na sala, ouvia o xixi dela. O André, do meu lado, ouvia também, ouvia?... Pois está pegando fogo, dizem que o governo corre perigo, pode? Au, au, auuuuuuu... Eu, política? Pega fogo... O Márcio... au, au, auuuuuuu... é um triste. Triste!... Mas agora eu leio o jornal na frente dele. Pego e faço pose, faço!... E ele não sabe, o cretino, que já fui jornalista, idiota. Mas não falo nada pra ele – meu passado, jamais!...

________

 

Rita na mídia:

 

O que há para ler

 

Roberta Campos Babo (Tribuna da Imprensa - RJ -25/09/2008)

 

· Em Rita no Pomar, da Editora 7Letras, o escritor Rinaldo de Fernandes conta a história de uma jornalista que foge da grande São Paulo para viver no litoral paraibano. Seu cachorro é o único a quem ela tem coragem de contar os segredos mais obscuros: não só o seu passado, mas a sua ambígua personalidade.

 

UOL Jovem

 

Cláudia Fonseca (Almanaque Virtual, site parceiro do UOL)

 

“Solitária, amargurada, misteriosa. [...] Rita abre seu coração e vai se mostrando ao longo desse enredo. Porém, apenas no final é possível descobrir (quem sabe?) quem realmente é essa surpreendente jornalista, que larga a vida em uma metrópole para viver em um abandonado terreno com pomar, na beira de uma distante praia, trabalhando como atendente de um simples restaurante de estrada.”

________

 

Rita comentada por escritores:

 

Nelson de Oliveira:

 

“Já comecei a ler o Rita no Pomar. Esse Pet é uma personagem muito cativante... Ele é tão legal quanto a Baleia do mestre Ramos.”

 

Sônia Maria van Dijck Lima:

 

“No romance, Rita não caça; acolhe, abriga seu ‘interlocutor’; ela não pergunta acerca de qualquer pacto, pois já sabe o que viveu e o que fez. Não há desespero de arrependimento em Rita; há conhecimento de fatos, de seus atos; há determinação e muita solidão.”



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 07h51
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AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA LANÇA BLOG

 

           

 

“Entrou no ar o blog oficial do escritor, ensaísta, poeta e professor

Affonso Romano de Sant'Anna. O 'Pensarte' é uma intervenção

em temas e fatos atuais, uma maneira de disponibilizar textos do

autor publicados em diversos jornais e revistas e um canal para

contato com os leitores. Visite aqui: www.affonsoromano.com.br



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 23h25
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Exclusivo!

 

MAURO STA. CECÍLIA

ESTRÉIA COMO CRONISTA

 

 

Para quem não sabe, o carioca Mauro Sta. Cecília é letrista

conhecido (já escreveu para o Frejat gravar, entre outras, a

letra de “Por você”), romancista e agora cronista. Mauro estreou

recentemente no Jornal do Brasil, na Revista Programa. Confira

abaixo, enviada para o Blog pelo próprio Mauro, a crônica de estréia:

 

 

DE BAR EM BAR

 

 

                             por Mauro Sta. Cecília

 

 

– Garçom, mais um chopinho na meia pressão, por favor.

– Ah, não. Mais um não!

– Que foi, meu amor? Por que você está com essa cara?

– Você ainda pergunta?

– O que que tem? Só vou beber mais unzinho...

– Que unzinho nada! Quando você diz isso é porque a gente não vai embora tão cedo. E eu estou por aqui dessa sua conversa mole.

– Poxa... você não confia em mim?

Sem nenhuma piedade, ela o estraçalhou com o olhar enquanto pegava o último pedaço de picanha na chapa fumegante. Em seguida, em meio à fumaça, proferiu a sentença:

– Eu tô engasgada com esse churrasco até hoje.

O rapaz colocou a mão na testa, coçou a cabeça e, sem ela perceber, por gestos a suas costas, pediu mais um chope ao atarantado Sales, que não havia registrado o pedido anterior. E falou assim quase por falar:

– Mas hoje é sexta. Isso foi no domingo passado...

Indignada, como se tivesse levado um choque elétrico por pura brincadeirinha de um interlocutor sem noção, a moça parou de mastigar e aí... bem, peço desculpas ao caro leitor, mas, nesse momento, infelizmente tive que interromper a contemplação dos fatos. A moça, uma morena de seus trinta anos, um pouco parecida com a bela jogadora de vôlei de praia Ana Paula, percebeu meu interesse no caso e desviou toda a sua fúria amorosa, que irromperia para desgraça do rapaz, para me questionar em silêncio, mas com ares definitivos de mira apontada, apenas com o arqueamento da sobrancelha esquerda. Antes que virasse briga de homem, achei melhor, braço apoiado na varanda, girar o tronco, olhar para a rua e também pedir um chope ao Sales, que corria esbaforido pro outro lado do corredor, para dar conta do bar cheio, umas dez e meia, onze da noite, em plena mudança de turno, do pessoal Família comendo fora na sexta-feira à noite para a galera da night. O garçom, claro, nem me viu. Fiquei, então, a observar o burburinho na rua, com as pessoas aglomeradas na porta do bar Stop Here. Me lembrou uma cena de Baixo Gávea ou Leblon. Era o próprio Baixo Bairro Peixoto.

Uma das grandes coisas do Stop Here Bar, Pontinho para os íntimos, é a varanda. Não que o bolinho de bacalhau, o pastel, o filezinho aperitivo não sejam bons. São corretos. O sanduíche americano é sensacional, dos melhores que já comi, mas a varanda ainda é melhor. O chope confesso que poderia ser mais bem tirado. Mas também não faz feio total, a gente toma. A varanda do bar simples e honesto compensa as agruras de um dia difícil. Fica no alto da esquina da rua Décio Vilares, onde esta se encontra com a rua Maestro Francisco Braga, para depois se bifurcarem e correrem suave ladeira abaixo em paralelo esses dois pilares do Bairro Peixoto, pequeno Oásis em Copacabana (em que, num instante, se está numa pracinha bucólica, com chafariz, pipoqueiro, campinho de futebol e inúmeros au-aus puxando sem medo da felicidade seus donos solitários; alguns passos à frente, pousa-se na agitação da rua Figueiredo Magalhães, centro nervoso de Copa).

Mas, voltando ao Baixo Bairro Peixoto... Apesar de toda a concentração na frente do bar, para ser chamado de Baixo, não basta juntar gente, tem que ter história. Pois ao redor da varanda do Pontinho, contam os mais antigos, já surgiram importantes parcerias musicais, poemas, trechos de romance, cenas de novela, peças de teatro, uma revista foi concebida, por lá passam artistas de bermuda e chinelo a caminho de casa. Tudo isso sem nenhum estardalhaço. De uma das janelas do Pontinho, certa madrugada, poder-se-ia ver até um grande astro do rock mundial chegar com sua (então) namorada brasileira no hotelzinho alguns metros abaixo. Dizem que seria o cantor da melhor banda do planeta. O resto, todos estão cansados de saber, as revistas de fofoca exploraram o entrevero à exaustão. O filho da dupla, hoje crescidinho, até já fala alguns palavrões em perfeito inglês britânico.

Quanto à história da morena, caro leitor, aquela parecida com a jogadora de vôlei Ana Paula, não vou decepcioná-lo completamente. Terminou em beijo. Saúde e até a próxima.



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 22h43
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Especial!

 

HOJE, 29 DE SETEMBRO – 100 ANOS

DA MORTE DE MACHADO DE ASSIS

 

 

 

MACHADO IMPIEDOSO*

 

 

                                          por Rinaldo de Fernandes 

 

 

Machado de Assis, cujo centenário de morte é neste 29 de setembro, é para muitos o melhor escritor brasileiro de todos os tempos. É o nosso grande mestre do realismo. Ele soube retratar, como ninguém, as tensões sociais e de classe do seu tempo; soube interpretar magistralmente o Brasil da segunda metade do séc. XIX, que transitava do Segundo Império para a Primeira República. Nossa elite aspirava à modernidade européia, tendo como base idéias como as do positivismo, do republicanismo, etc., mas, na prática, mantinha relações seculares, calcadas na relação senhor e escravo. Como uma sociedade pode ser moderna, pode aspirar à “emancipação coletiva”, uma das promessas do positivismo, se mantém em suas bases modos arcaicos de produção e interação? Machado denuncia a violência da escravidão, por exemplo, em contos como “Pai contra mãe” e “O caso da vara”. Para mim, dois textos decisivos, irretocáveis no retrato dessa instituição que, em nosso país, perdurou muito tempo. Além disso, Machado é um caso extraordinário, de autor da chamada periferia (dos países ocidentais) que se eleva a gênio. Ele desperta interesse e é atual pela absoluta genialidade em investigar a alma humana, em entender os mecanismos de ambigüidade dos seres, quase sempre divididos entre o prestígio e o prazer, quase sempre interessados em si mesmos. Machado se utilizou da ironia como o recurso mais apropriado para o material humano e social que estava retratando. E tornou-se, em nossa literatura, um mestre insuperável do romance e do conto, sobretudo.

Memórias póstumas de Brás Cubas antecipa aspectos fundamentais da estrutura do romance do séc. XX. É uma narrativa não-linear, que rompe com o modelo consagrado pelo realismo. Dom Casmurro traz a paradigmática personagem Capitu, cuja suposta traição a Bentinho ainda hoje é debatida. O ponto de vista do livro – o de Bentinho – permite uma ambigüidade de base, pois estamos lendo o relato de um ciumento que se admite traído e que vai nos dando pistas, não inteiramente aceitáveis, da traição da mulher. Mas se Capitu traiu ou não Bentinho é um aspecto que diz respeito à própria concepção romanesca de Machado, ou seja, a capacidade que ele teve de tecer esse narrador extraordinário que é o Bentinho, cheio de incertezas, e que tenta o tempo todo convencer o leitor do “delito” da mulher. Tudo o que é dito sobre Capitu, é bom repor, decorre do ângulo adotado por Bentinho. O leitor, assim, antes de desconfiar de Capitu deve primeiro desconfiar do próprio Bentinho. Portanto, Dom Casmurro é um romance que traz na sua estrutura profunda uma forte carga irônica. Não é irônico você gerar incertezas e dúvidas sobre algo que está incerto e duvidoso e falar disso com ar de educado, de civilizado, apostando neste último aspecto como um recurso infalível para seduzir o leitor? Eis o narrador Bentinho. Além de construir a narrativa com astúcia, tentando convencer o leitor da culpa de Capitu – e, por conseqüência, da inocência dele –, Bentinho narra a história com um certo autoritarismo. Um autoritarismo que já foi decodificado como sendo o da classe dominante brasileira de seu tempo.

Mesmo as figuras femininas dos romances da fase romântica de Machado – Ressurreição, A mão e a luva, Helena e Iaiá Garcia – já são flagradas em situações que as tornam ambivalentes, ambíguas em suas escolhas, opções. E a ambigüidade vai se estabelecer, para sempre, como a marca principal dos seres machadianos. A ambigüidade que desvela o interesse, o amor-próprio. Ou o “egoísmo universal”, para usar a boa expressão do crítico e professor Alfredo Bosi, no livro Machado de Assis: o enigma do olhar.



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 03h40
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Machado é um autor do passado, do presente e do futuro. Sempre iremos recorrer às suas narrativas, porque elas guardam significados permanentes do homem. Enquanto houver gente na terra, Machado permanecerá. Permanecerá como intérprete impiedoso da natureza humana. O seu desencanto radical, segundo ainda Alfredo Bosi, decorre da desconfiança de que o homem não melhora. Nada o faz melhorar. Isto é terrível, não? Vai de encontro a muita coisa, a muitas ideologias progressistas da modernidade.

Qual o melhor: o romancista ou o contista Machado? Que os dois se igualam, disso eu tenho certeza. Mas às vezes sou levado a crer que o Machado contista supera o Machado romancista. Ocorre que o conto e o romance são gêneros diferentes, de fatura diferente. Não vejo, como podem pensar alguns, o conto machadiano como um exercício para a narrativa mais longa do romance. Além disso, do ponto de vista da crítica literária, não há gênero superior a outro. Considerar que o conto é um exercício para a escrita do romance é de algum modo considerar o romance um gênero superior ao conto. E não é assim.  Às vezes há autor que é um excelente contista mas que é um romancista apenas mediano. E vice-versa. 

“Missa do Galo”, em enquete que realizei em 2006 com dezessete escritores brasileiros, foi escolhido o melhor conto de Machado. De fato, há muita sutileza, muita ambivalência nesse conto. Eu o considero o melhor conto de nossa literatura. Por conter na medida exata aqueles elementos que Julio Cortázar considerou indispensáveis no conto moderno – significação, tensão e intensidade. A história é narrada com muita precisão, sem digressões que retardem indevidamente o desfecho. E o desfecho, como propõe Cortázar quando trata do caráter “significativo” do conto, projeta a nossa inteligência e sensibilidade para além da história narrada. Deixa uma abertura de sentidos que faz desse conto um relato ímpar em nossa literatura. É tão sugestivo, que ainda hoje pensamos nessa conversa cheia de lacunas da casada Conceição com o adolescente Nogueira. Pensamos com uma certa angústia, com um certo desejo de que algo tivesse efetivamente ocorrido entre os dois ali naquela sala. Ou mesmo no quarto.

Machado ou Rosa? Qual o melhor? – perguntaram recentemente. Eis um (péssimo) sintoma da cultura brasileira: o de, aqui e ali, serem postos uns contra os outros grandes nomes de nossa cultura. Assim, indaga-se: Oswald ou Mário? Machado ou Rosa? Rosa ou Clarice? Uma visão que não soma, mas, de algum modo, exclui. Acho os dois importantes, não sei escolher. Mesmo porque um tem coisas que o outro não tem. Machado passa ao largo da inventividade vocabular de Guimarães Rosa. E Rosa, penso, não tem a mesma força irônica de Machado. E os dois, acredito, não são superiores a Graciliano Ramos (se tomarmos São Bernardo, por exemplo, como o ponto alto do autor alagoano).

O jovem contista e romancista, para concluir, deve sempre ter em mente a lição machadiana. E ser impiedoso na hora de construir os seus personagens. Impiedade, essa é a grande lição do mestre para o escritor iniciante.

 

_________

 

* Excepcionalmente, por conta da data, antecipei aqui a minha coluna Rodapé, que publico mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, e que é reproduzida no Correio das Artes, de João Pessoa. Para ver as demais colunas, clique em: www.rascunho.com.br



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 03h38
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FIM DE SEMANA COM RITA

 

 

Trecho do capítulo 31 do meu romance Rita no Pomar, que acabou

de sair pela editora 7 Letras (para adquirir a obra, além de livrarias

como Cultura, Saraiva, Martins Fontes, Livraria da Vila, etc., clique

em: www.7letras.com.br):

 

“Às vezes sinto vontade de fugir. Tomar essa areia da praia, ir indo, indo, desaparecer... Os pés na água? Tocando, apenas, pois a água acostuma e... Toparia?... Você vai?... No dia em que eu for, vai. Sei que vai, pulando inicialmente, pedindo perdão com os olhos pelados, o que pede tanto, tolo? Alimento não falta, falta? Falso esse teu pedido, ô... Eu e o André às vezes íamos, fins de semana, para Rio Claro, para a casa dos pais dele. A casa perto de uma avenida, os postes altos. Em frente ficava um terreno baldio. Aos fundos do terreno, uma igreja de paredes amarelecidas, algumas árvores em torno do estacionamento. Os travestis faziam ponto na avenida, o André ria toda vez que vínhamos, sempre sexta-feira à noite, no carro que alugávamos, eu dirigindo. Gritava – veados! Ô, imbecil, se importar com travesti... Mas eles também fazem o mal, hum? Fazem, todo mundo faz...”



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 11h19
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Hoje nas livrarias

 

LEIA TRECHO INÉDITO DO NOVO

LIVRO DE MARCELO MIRISOLA

 

 

 

Chega hoje às boas livrarias do país Animais em extinção,

novo livro do escritor paulista Marcelo Mirisola. Confira,

exclusivo para o Blog da Beleza, trecho da obra:

 

 

                                                   

 

Tive um filho Panda com Paloma Holliday, a Papi. Isso mesmo. Se eu tiver que lembrar da Pça. Roosevelt, e quiser fugir dos pleonasmos, a melhor lembrança vai ser o único filho que consegui fazer nessa minha merda de vida. Um Panda, fruto do meu amor desatinado por um travesti monstruoso. O garoto aí está, de pelúcia.

Levo a vantagem de não ter precisado olhar para trás na hora de concebê-lo. O que – aqui entre nós – não é nada pouco em se tratando da Pça. Roosevelt.

Aconteceu de eu estar tomando um café no La Barca. Um vendedor de bonecos de pelúcia apareceu por lá. O traveco gostou do Panda, e eu comprei o bichano pra ele.

Tudo muito simples. Para evitar chiliques, comprei:

– É nosso filho, M.M.

– Tem certeza?

– Vou dar de mamar agora mesmo.

O Panda parou de chorar.

Sem nenhuma sacanagem, eu quis assumir a paternidade. Pra valer. Mas não consegui.                             

Tinha apenas meu amor, e custou barato. O garoto-panda é peludo, greludão e demente, e ainda não foi batizado. Tem as canelas inchadas, olheiras profundas e redundantes, e sabe rir de si mesmo. Isso que eu gosto nele.

Claro que é uma aberração. Não podia ser diferente do meu amor: ele é a cara da Roosevelt. Meu filho. Papi me garantiu que vai ser uma mãe dedicada. O Panda jamais saberá que sou o pai dele. Esse foi o acordo.

...porque o abandonei como se fosse um desses executivos da Berrini que vêm dar o cu por aqui e pagam caro pelo anonimato.

Na hora em que a Papi tirou o peito pra fora, e deu de mamar ao Panda, pensei comigo mesmo: “Solitário”.

Não é pose, não. Sou um solitário por excelência. O fruto revirado em si mesmo. O pinote, enfim. Aquele que vai embora antes que seja tarde demais. Antes de ser feliz demais.

  

                                           



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 21h57
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O livro das impossibilidades

 

RUFFATO LANÇA NOVO VOLUME

DA SAGA INFERNO PROVISÓRIO

 

 

Inferno provisório, a saga do proletariado brasileiro nos

últimos 50 anos que o mineiro Luiz Ruffato vem escrevendo,

chega ao quarto volume com o lançamento recente de

O livro das impossibilidades (Ed. Record). Clique para ler, no

site Cronópios, resenha do livro assinada pelo pesquisador

e jornalista Jorge Sanglard:

 

http://www.cronopios.com.br/site/critica.asp?id=3530



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h34
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Curso e Colóquio

 

ACONTECE NA ACADEMIA

DE LETRAS DA BAHIA

 

 

Exemplo magnífico de um curso e colóquio de literatura regional estará dando, de 24 a 26 de setembro, a Academia de Letras da Bahia. Desconheço, no Nordeste, iniciativa tão abrangente e pertinente. Mando daqui os meus parabéns aos organizadores. Segue a programação completa:

 

 

CURSO CASTRO ALVES 2008 e III COLÓQUIO DE LITERATURA BAIANA

 

24 a 26 de setembro, das 14h30 às 19h30 – na ALB, em Salvador – Bahia

 

PROGRAMA

 

24/09 – quarta-feira

17h00 – O CARÁTER DRAMÁTICO E COREOGRÁFICO DA POESIA DE CASTRO ALVES – Alexei Bueno (poeta e ensaísta) 

 

25/09 – quinta-feira

14h30 – Sessões de Comunicações de Literatura Baiana 1, 2 e 3

17h00 – AS IMAGENS ONÍRICAS DA VIOLÊNCIA NO POEMA "O NAVIO NEGREIRO" DE CASTRO ALVES – Artur Bispo dos Santos Neto (UFAL)

 

26/09 – sexta-feira

14h30 – Sessões de Comunicações de Literatura Baiana 4, 5 e 6

17h00 – LEITORES DE CASTRO ALVES: DEPOIMENTOS, LEITURA E COMENTÁRIOS DE POEMAS – Edivaldo M. Boaventura (ALB), Consuelo Pondé de Sena (ALB) e João Eurico Matta (ALB)

18h30 - Lançamento do livro "O olhar de Castro Alves – ensaios críticos de literatura baiana" (reunião de 51 trabalhos apresentados em 2006 e 2007)

   

PROGRAMAÇÃO DAS SESSÕES DE COMUNICAÇÕES

  

SESSÃO 1 24/09, quarta, 14h30

Aspectos e questões de ficção baiana

Local: Auditório Magalhães Neto

Coordenador: Benedito Veiga (UEFS)


A POÉTICA DA MEMÓRIA: O ROMANCE DE HERBERTO SALES Ângela Vilma S. Bispo Oliveira (UNEB)

OUTRO OLHAR SOBRE PAI CONTRA MÃE DE MACHADO DE ASSISBenedito José de Araújo Veiga (UEFS)

A CRÍTICA COMO ESCRITA AUTOBIOGRÁFICA: UMA LEITURA DE TEXTOS DE JUDITH GROSSMANN Fernanda Mota Pereira (UFBA)

ATANDO AS PONTAS DA VIDA EM "SINA", DE CYRO DE MATTOS Elizabeth Gonzaga de Lima (UFBA)

REPRESENTAÇÕES DO TRÁGICO NO CONTO BEZERRO DESMAMA, DE JORGE DE SOUZA ARAÚJO Solange Araújo Fioravanti (Mestre Lit. e Div. Cultural/UEFS)

DE RIO E DESERTOS: UMA LEITURA DE A DAMA DO VELHO CHICO, DE CARLOS BARBOSA Mônica de Menezes Santos (UFBA)

A CIDADE COMO PERSONAGEM EM ADONIAS FILHO E ALEILTON FONSECA Lílian Almeida (UNEB – Gandu)



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 06h21
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SESSÃO 2 24/09, quarta, 14h30

Temas e questões da lírica baiana

Local: Auditório Pedro Calmon

Coordenador: Cleberton Santos (UEFS/CEGLVF)

  

O GALOPE POÉTICO DE FLORISVALDO MATTOS Cleberton dos Santos (UEFS/CEGLVF)

A CIDADE E OS SONHOS IN MEMORIAM: O FORJAMENTO DA IMAGEM EM RUY ESPINHEIRA FILHO Joabson Lima Figueiredo (UEFS/UNEB – Seabra)

MEMÓRIA, MULHER E EXPERIÊNCIA URBANA NA POESIA DE MARIA DA CONCEIÇÃO PARANHOS Ricardo Pacheco (UEFS)

EDIÇÃO DE POEMAS DE PEQUENOS ASSOMBROS, DE ANTONIO BRASILEIRO Kaline Gabriela Maciel da Silva (UEFS) e Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (Orientadora – UEFS)

ANOTAÇÕES SOBRE POESIA, POEMA E CRÍTICA LITERÁRIA UMA APRENDIZAGEM COM A POÉTICA DE ALEILTON FONSECA Nildecy de Miranda Bastos (UFBA)

JORGE ARAÚJO: A LUMINOSA POESIA DE UM TEMPO OBSCURO Edeildes Sena Nunes (UEFS)

A RUPTURA DA RUPTURA E O RETRATO DA POESIA CONTEMPORÂNEA EM LUÍS ANTONIO CAJAZEIRA RAMOS Luciana Santos de Oliveira (UEFS)

 

SESSÃO 3  24/09, quarta, 14h30

Literatura  e questões culturais

Local: Sala de Reuniões (térreo)

Coordenadora: Maria da Conceição Reis Teixeira (UNEB/SALT)

 

O PERCURSO LITERÁRIO DE JOÃO GUMES Maria da Conceição Reis Teixeira (UNEB/SALT)

SENTIDOS DA INFÂNCIA EM TEXTOS DA BAIANA CELINA D’ÁVILA Andréa Barreto Borges de Souza (UNEB – Sto Antonio de Jesus)

A MULHER NA POESIA DE CASTRO ALVES Maria da Soledade Oliveira Rios (UEFS)

AS IMAGENS DO VINHO NA POESIA DE GODOFREDO FILHO Evanice Pereira dos Santos (Col. Polivalente M.L.F.B. – Feira de Santana)

A COSMOGONIA POÉTICA DE MYRIAM FRAGA Ricardo Nonato Almeida de Abreu Silva (UFBA/Bolsista da FAPESB)

A CRIAÇÃO POÉTICA DE VALDELICE PINHEIRO: UM OLHAR DIFERENCIADO Mércia Socorro Ribeiro Cruz (UESC)

DE ÂNCORAS, ÂNSIAS, REMOS E MEDOS: O FEMININO REVISITADO EM TRATADO DAS VEIAS, DE RITA SANTANA Daniela Galdino Nascimento (UNEB)



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 06h15
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SESSÃO 4 25/09, quinta, 14h30

Aspectos da ficção baiana

Local: Auditório Magalhães Neto

Coordenadora: Léa Costa Santana Dias (UNEB)

 

CUÍCA DE SANTO AMARO E O CULTO A GETÚLIO VARGAS Léa Costa Santana Dias (UNEB – Euclides da Cunha)

REDESCOBRINDO MANUEL HENRIQUE PEREIRA (MESTRE BESOURO MANGANGÁ) ATRAVÉS DO CORDEL DE ANTÔNIO VIEIRA Jonalva Santiago Da Silva (UNEB – Salvador)

TIETA, UMA AFRODITE BAIANA? Elque Conceição dos Santos (Centro Universitário Jorge Amado)

AS FALAS REGIONAL, SOCIAL E ESTILÍSTICA EM SARGENTO GETÚLIO, DE JOÃO UBALDO RIBEIRO Vitor Hugo Fernandes Martins (UNEB – Sto. Antonio de Jesus)

MODOS DE VIVER: A CIDADE DAS CRÔNICAS DE VASCONCELOS MAIA Edna Maria Viana Soares (UNEB)

A CIDADE ENTRÓPICA: A FORÇA SIGNIFICANTE DA NARRATIVA DE CLAUDIUS PORTUGAL Nilo Ferreira da Rocha (CEFET/Fortaleza-CE)

TRAVESSIAS NACIONAIS E ENCRUZILHADAS CULTURAIS: O NORDESTINO NA TRILOGIA DE ANTÔNIO TORRES Amanda da Silva (UEFS)

   

SESSÃO 5 25/09, quinta, 14h30

Questões literárias baianas

Local: Auditório Pedro Calmon

Coordenadora: Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS)

 

EM BUSCA DOS TEXTOS GENUÍNOS DE AUTORES BAIANOS Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (UEFS)

RETALHOS DA MEMÓRIA DE MARIA AUGUSTA BITTENCOURT Nancy Rita Ferreira Vieira (UCSAL)

A REPRESENTAÇÃO FEMININA NA OBRA DE AFRÂNIO PEIXOTO Érica Azevedo Santos (UEFS) e Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (Orientadora – UEFS)

MÚLTIPLOS OLHARES: A REPRESENTATIVIDADE LITERÁRIA DE ANÍSIO MELHOR Ionã Carqueijo Scarante (Faculdade de Ciências Educacionais – Valença)

A CASA DOS BUDAS DITOSOS: O EROTISMO COMO CRÍTICA SOCIAL Solange Santos Santana (UEFS – Bolsista PIBIC/CNPq)

O VOCABULÁRIO ERÓTICO EM A CASA DOS BUDAS DITOSOS Jeffeson Mendes Correia (UEFS), Priscila Brasileiro Silva do Nascimento (UEFS), Solange Santos Santana (UEFS) e Rita de Cássia Ribeiro de Queiroz (Orientadora – UEFS)

A MULHER E A LITTERATURA: ANNA AUTRAN, DEFENSORA FEMINISTA NO DIÁRIO DA BAHIA 1871 Andreza da Silva Conceição (UNEB), e Maria Conceição Reis Teixeira (UNEB/SALT)

 

SESSÃO 6 25/09, quinta, 14h30

Literatura  e questões temáticas

Local: Sala de Reuniões (térreo)

Coordenador: Luiz Antonio de Carvalho Valverde  (UNEB /UFPE)

  

O SER E O ALÉM DO SER NA CONFIGURAÇÃO DA OBRA DE OSÓRIO ALVES DE CASTRO Luiz Antonio de Carvalho Valverde (UNEB/UFPE)

HISTÓRIA E MEMÓRIA NAS CARTAS DA SERRA, DE EURICO ALVES Grazyelle Reis dos Santos (UEFS)

JORGE AMADO E A CONSTRUÇÃO DE SI: UNIVERSALIDADE, AUTORIDADE, AUTENTICIDADE, IMORTALIDADE Elisângela Sales Encarnação (UNEB)

O IMAGINÁRIO SERTANEJO EM CASCALHO, DE HERBERTO SALES, E EM TEREZA BATISTA CANSADA DE GUERRA, DE JORGE AMADO Adriana Silva Teles Boudoux (UEFS)

A PRÁTICA DO REALISMO FANTÁSTICO EM A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO DÁGUA, DE JORGE AMADO Wodisney Cordeiro dos Santos (UNEB – Sto. Antonio de Jesus)

IMAGENS DE BALDO EM JUBIABÁ DE JORGE AMADO Derneval Andrade Ferreira (Faculdade de Ciências Educacionais)

ANTÔNIO TORRES: UM FICCIONISTA DE IDENTIDADES

DA SOCIEDADE BRASILEIRA Lucélia Lima Lopes (UNEB)



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 06h11
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