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BLOG DA BELEZA - por Rinaldo de Fernandes


Pesquisa

 

 

DEFESA DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

SOBRE CONTOS DE O PERFUME DE ROBERTA

 

 

 

 

 

Acabo de receber um convite para a defesa da dissertação de Mestrado de Frederico Lima, da Pós-Graduação em Letras da UFPB. Além do convite, Frederico diz ainda em mensagem que me enviou: “Quero informá-lo que minha dissertação será defendida dia 19/05/2017, às 09h30, na Sala 500 do CCHLA. O título do trabalho é: ‘Literatura e Violência: efeitos do desmentido na contística de Rinaldo de Fernandes’. Nele, apresento uma análise de dois de seus contos: ‘O Perfume de Roberta’ e ‘Ilhado’. A análise, que usa a teoria psicanalítica como base, parte da premissa que sua contística incorpora elementos que metaforizam o mal-estar na sociedade contemporânea”. E Frederico conclui sua mensagem: “Este será, se Deus permitir, apenas mais um de meus trabalhos que utilizarão sua obra como corpus para análise. Caso passe para o doutorado, tentarei analisar um de seus romances”. Só fico feliz com um pesquisador da qualidade e competência de Frederico Lima, que também é escritor. Frederico já fez sua monografia de conclusão do Curso de Letras sobre contos meus. Agradeço-o imensamente! E estarei, dia 19, muito honrado, assistindo a defesa de sua dissertação!



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 22h06
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Conto

 

CREMATÓRIO

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

      

        Toda semana apareciam corpos jogados no terreno baldio vizinho ao depósito de construção do bairro. Jogavam gente com os pés empoeirados, jogavam outras totalmente nuas. Jogavam cabeças, jogavam tíbias. O sangue que escorria das perfurações nos corpos ali jogados era lambido pelos cachorros – e o gordo da oficina, na outra ponta da rua, ralhava toda vez que o seu vira-lata lhe aparecia com o focinho pingando, o sangue bem fresco. Duas meninas que brincavam na calçada, sempre à tardinha, tinham curiosidade com os pés empoeirados – e ficavam apontando para as unhas mais encardidas. Os funcionários do depósito, quando empilhavam sacos de cimento, botavam a cara na janela, olhavam para o terreno baldio, para o monte de corpos – e achavam que um bom muro deveria vedar aquilo, aquelas coisas que criança não devia estar vendo. Um dia veio pela rua uma velha vestindo fúrias, dizendo-se abandonada pela filha. Uma velha pendendo como quem está para desabar em qualquer soleira. E era isso mesmo que ela queria – desabar, morrer num lugar onde, fora informada, mortos eram incinerados quase todos os dias. Porque a velha queria porque queria ser cremada, sem qualquer custo para ninguém. E foi assim que, na sexta-feira, o proprietário do depósito, responsável pela queima dos corpos, empurrou, com uma mangueira, o querosene na garganta da velha, que amanhecera morta, e lhe ateou fogo. Nesse dia as duas meninas viram uma fumaça subindo grossa e amarela, grudando-se e pingando dos fios dos postes. E o gordo da oficina garantiu, circunspecto, que a velha não subira na fumaça. O que subira foi o vômito dela para a filha.



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h38
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