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BLOG DA BELEZA - por Rinaldo de Fernandes


Informe

 

O LANÇAMENTO DO LIVRO

DE EDUARDO SABINO EM BH  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

    

Confira as fotos do (concorrido) lançamento, sábado, 28/11, em Belo Horizonte, do livro de contos Idéias noturnas sobre a grandeza dos dias, do jovem escritor mineiro Eduardo Sabino. O livro de Eduardo, publicado pela Novo Século, e que já se encontra nas boas livrarias, tem prefácio de minha autoria. Confira as fotos do lançamento clicando abaixo, no Caos e Letras/Literatura e Arte, blog do autor:

 

 

http://caoseletras.blogspot.com/



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 11h07
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Informe

 

NOVO LIVRO DE ADRIANO ESPÍNOLA 

 

Recebi – e aproveito para agradecer – do poeta e professor Adriano Espínola o livro Malindrânia, que acaba de sair pela Topbooks. A prosa poética de Adriano é refinada, seus relatos, não raro fantásticos, flagram situações absurdas do cotidiano. Assim, “As cordas do mar”, que abre o livro, é a fascinante história de um tsunami que atinge o Rio de Janeiro. Em poucos passos, o leitor se perturba com o relato pungente do protagonista, que, despertando sereno, se apronta para ir dar sua caminhada matinal e comprar alimentos na feira, mas, ao pisar na rua, vive uma experiência sufocante sobre (e sob) as águas que inundam a cidade. Inundam e, em seguida, se retraem, deixando tudo como estava antes. Um relato de ritmo forte, que fisga o leitor logo nas primeiras frases. Fisga e o deixa desconcertado, imerso na agonia do protagonista. “A cratera”, um buraco que se abre no centro de uma praça e que engole pessoas, aborda o mistério, o inexplicável que assusta. “Os círculos” apresenta um protagonista paranóide, cuja rotina de trabalho numa repartição o desagrega, o torna desconfiado e indefeso diante do outro. O livro, com várias outras peças bem interessantes (“A flecha”, “O pão sobre a mesa”), traz ainda o primoroso “O pintor da tribo”, que integrou a coletânea Contos Cruéis: as narrativas mais violentas da literatura brasileira contemporânea, que organizei para a Geração Editorial em 2006. Leia, abaixo, um trecho de “O pintor da tribo”:

 

 

Além, muito além daquele tempo e não muito longe do mar bravio, uma pequena tribo vivia em uma caverna. As nascentes ali próximas manchavam de verde os campos e faziam escorrer e saltar a água e a caça pelos córregos.

Depois de numerosos invernos e verões regulares, eis que as nuvens se esgarçam, somem: o estio se prolonga, e uma inesperada seca então prospera pássaros e animais migram, árvores emagrecem e se tornam cinza, as margens começam a se alargar e a rachar, bebendo o rio, até transformá-lo em um poço turvo e triste, feito o olho magoado de uma velha.

Os homens buscam agora comer as raízes, os lagartos e os insetos que surpreendem por perto.

Entretanto, a fome e a sede começam a dobrar aqueles antes resolutos caçadores.

À noite, os mais velhos se reúnem, aflitos. Não sabem para onde ir. Discutem. Um deles se ergue:

Por que não matamos e comemos os mais fracos e inúteis da tribo? Assim poderemos continuar aqui mesmo, até que a água borbulhe novamente por entre as pedras e os animais retornem ao vale...

Todos concordam. Uma voz logo se lembra daquele tipo que, ao invés de ir à caça com os demais, costuma passar o dia inteiro, no fundo da caverna, pintando pássaros e animais feridos, estrelas e flechas, falando sozinho e proferindo palavras incompreensíveis. Seria o primeiro a ser sacrificado.

[...]

 

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h47
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Coluna Rodapé

Nov./2009

 

JOSÉ LINS DO REGO

– A OBRA E OS CRÍTICOS (1)   

       

         

 

 

José Lins do Rego, como é do conhecimento de todos, é um dos principais romancistas brasileiros do séc. XX. Nascido no Engenho Corredor, em Pilar (Paraíba), em 1901, morou em cidades como Itabaiana, João Pessoa, Recife, Manhuaçu (atuou como promotor público neste município mineiro), Maceió (ficou de 1926 a 1935 em Alagoas e conviveu com Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda, Jorge de Lima, Valdemar Cavalcanti, entre outros) e Rio de Janeiro, onde morreu em 1957. A década de 1930, quando José Lins passa a publicar seus livros, foi, dentro e fora do Brasil, de forte embate ideológico. As idéias de esquerda penetram mais fundo no país. Impõe-se ao escritor uma exigência: a de uma maior consciência do país, do seu subdesenvolvimento, atraso. Importa neste momento interpretar o Brasil – através do ensaio social, da ficção. No ensaio basta lembrar que saem duas obras capitais para a cultura brasileira: Casa Grande & Senzala (1933), de Gilberto Freyre (com quem José Lins convive na década de 20, no Recife, e cujo pensamento acerca do regionalismo será importante na formação do romancista paraibano), e Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda. Na ficção tem destaque o chamado “Romance de 30”, em que, no principal de sua produção, se insere José Lins do Rego. O “Romance de 30” compôs-se de obras tidas como regionalistas (ou neo-realistas), de forte teor social, em grande parte produzidas por escritores de origem nordestina (além de José Lins, José Américo de Almeida, Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Jorge Amado), que buscavam problematizar e/ou fazer refletir sobre as estruturas econômicas, a ideologia, valores, condutas e condições de classes da região Nordeste. São romances de denúncia, ou, por assim dizer, contra-ideológicos, abordando aspectos da região (seca, misticismo, cangaço, coronelismo). Trata-se, portanto, nas obras de melhor fatura (as que, de alta voltagem estética, escapam a certo – e talvez necessário, levando-se em conta, naquele contexto, os choques políticos – esquematismo ideológico próprio do período), de um regionalismo profundamente crítico. Embora, em seu caso em especial, as classificações não sejam inteiramente corretas, a crítica costuma dividir a obra de José Lins em alguns ciclos. Para José Aderaldo Castello, por exemplo, a produção do escritor se constitui de: 1) “Ciclo da Cana-de-Açucar”: Menino de engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), Usina (1936) e Fogo morto (1943); 2) “Ciclo do Cangaço, Misticismo e Seca”: Pedra bonita (1938) e Cangaceiros (1953); 3) “Obras independentes” dos ciclos: O moleque Ricardo (1935) e Pureza (1937); 4) obras que buscam “fugir” ao ambiente nordestino: Riacho doce (1939), Água-mãe (1941) e Eurídice (1947); 5) regresso ao ambiente nordestino: Meus verdes anos (1956). [Continua na próxima coluna]

 

 

(Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, e no Correio das Artes, de João Pessoa; para acessar as demais colunas, clique em www.rascunho.com.br, no link “Rodapé”)



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 13h23
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