| |
Valorização do escritor SOBRE A ORGANIZAÇÃO DO PRÊMIO SÃO PAULO DE LITERATURA 2009

Impecável, é a palavra. Extremamente competente e profissional a organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009, do qual meu romance Rita no Pomar é finalista. Os organizadores do Prêmio já definiram a programação para os autores finalistas. Durante o mês de julho, os escritores finalistas, nas duas categorias (veteranos e estreantes no gênero romance), participarão de bate-papos com leitores em alguns locais de São Paulo: Livraria Cultura, Livraria da Vila e Casa das Rosas. Dia 6 de julho, participarei, na Livraria Cultura, a partir das 18h00, de um bate-papo junto com os escritores Marcus Vinicius de Freitas e Maria Esther Maciel (Silviano Santiago ia participar desta mesa, mas deu problema com a agenda dele). O tema do bate-papo será: "Escritores que ensinam". Eu dou aulas de literatura na UFPB e os dois colegas escritores ensinam na UFMG. Acho que vai ser um encontro bastante interessante. Os organizadores, que, semana passada, nos solicitaram fotos em alta resolução para produzir material de divulgação, acabam de informar que contrataram a produtora Mamute Filmes para a realização de um vídeo a ser exibido na cerimônia de anúncio dos vencedores do Prêmio. Em breve a equipe da produtora agendará, com todos nós, autores finalistas, depoimentos/gravação. Dia 3 de agosto, no Museu da Língua Portuguesa, será a cerimônia de entrega do Prêmio São Paulo de Literatura, com a presença de todos os concorrentes, nas duas categorias. A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo, promotora do Prêmio, em parceria com as editoras, dará todo o suporte financeiro para que os autores finalistas se façam presentes nos bate-papos e na cerimônia final, inclusive pagando cachê de participição, hospedagem e transporte, além de inserção dos eventos na mídia. Bem, como escritor, e embora já tendo participado de vários outros eventos com bom nível de organização, me sinto honrado com um tratamento mais que profissional desses. É, sem dúvida, uma forma de valorização do autor - e, sobretudo, do livro. ROMANCES COM TARJA A organização do Prêmio São Paulo de Literatura 2009 providenciou ainda tarjas (acima, foto da logomarca) com a inscrição "Premio São Paulo de Literatura 2009/ Finalista - Melhor Livro do Ano - Autor Estreante". Os exemplares do meu Rita no Pomar, segundo me informa o editor, irão para as livrarias, a partir de agora, com as tarjas oficiais de finalista do Prêmio. Já é um título para o livro, que se reveste, certamente, de maior importância aos olhos dos leitores e, mesmo, da crítica. Agora é aguardar a decisão final do júri. Acredito que todos os autores estão confiantes. E que vença, realmente, o melhor!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 11h14
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Coluna Rodapé Maio/2009 OS TEMPOS DO AMOR, SEGUNDO CHICO BUARQUE

por Rinaldo de Fernandes Sem sentimentalismo, antes com uma apurada compreensão filosófica, Chico Buarque, na canção “Todo o sentimento”, descreve os tempos da relação amorosa. Vejamos, estrofe por estrofe, que tempos são esses. Primeira estrofe (primeiro tempo: o da INTEIREZA): Preciso não dormir/ Até se consumar/ O tempo/ Da gente/ Preciso conduzir/ Um tempo de te amar/ Te amando devagar/ E urgentemente. Trata-se do tempo de toda a atenção – do zelo, do cuidado. Tempo da plenitude do ato de amar. E que deve se cumprir na calma (“devagar”), e, de tão decisivo para a felicidade, sem adiamentos (“urgentemente”). Segunda estrofe (segundo tempo: o da DEFESA): Pretendo descobrir/ No último momento/ Um tempo que refaz o que desfez/ Que recolhe todo o sentimento/ E bota no corpo uma outra vez. Na relação amorosa, nem tudo é inteireza, intensidade. O amor sofre ameaças, revezes. A chave desta estrofe está no verso “No último momento”, que atesta a idéia de uma crise que está encaminhando a relação para um fim, para um desfecho. Assim, esfrangalhada, ou correndo o risco de esfrangalhar-se de vez, a relação remenda-se – “refaz”-se em seus trapos. Há uma nova aposta no amor. O amor é defendido (o sentimento é posto “no corpo uma outra vez”). Terceira estrofe (terceiro tempo: o da CERTEZA): Prometo te querer/ Até o amor cair/ Doente/ Doente/ Prefiro então partir/ A tempo de poder/ A gente se desvencilhar da gente. Aquilo que, no “último momento”, foi suspenso ou evitado na estrofe anterior – o fim ou o desfecho da relação, por conta de uma nova investida no amor, ou da defesa deste – agora é fato. Chega, inevitável, imperioso, o instante da separação. Nada mais impede o “desvencilhar”-se – que é o mesmo que soltar-se, desprender-se. Trata-se de um rompimento, de uma retirada que decorre de uma convicção – a de que o amor debilitou-se, esgotou-se. Tempo da certeza. Quarta estrofe (quarto tempo: o da DELICADEZA): Depois de te perder/ Te encontro, com certeza/ Talvez num tempo da delicadeza/ Onde não diremos nada/ Nada aconteceu/ Apenas seguirei, como encantado/ Ao lado teu. Por fim, passa-se do tempo da certeza para o da “delicadeza”. O que dizer deste último tempo da relação amorosa? É o do amor que virou amizade? Talvez. Pode também ser o seguinte: o amor, que, no primeiro momento, foi zelo, cuidado; que depois se degenerou a ponto de quase se perder; que, afinal, sucumbiu, partindo em retirada – o amor, de algum modo, fixou-se nos (ex)amantes, deixou marcas. Como resquício, restará em suas memórias. Enquanto resquício, o (ex)amor, e quando menos se espera, repassa na memória, ressurge. E isto que nos persegue – a memória de um amor passado – parece mesmo um tanto delicado. E chega como um ente invisível, encantado. (Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba; para acessar as demais colunas, clique em www.rascunho.com.br, no link “Rodapé”)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h58
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Resenha de “Rita no Pomar”
TRÁGICO MONÓLOGO
por Carlos Ribeiro (escritor e professor da Universidade Federal da Bahia) (In: livro À Luz das narrativas: escritos sobre obras e autores – Salvador: Ed. da Universidade Federal da Bahia, 2009, pp. 205-207; o livro de Carlos Ribeiro terá lançamento nesta quarta-feira, 17/06, a partir das 18h00, na Academia de Letras da Bahia) Romance de Rinaldo de Fernandes é um convite à decifração, no qual o leitor, ao cabo de tudo, defronta-se consigo próprio, por trás de suas próprias máscaras. Rita no Pomar é o primeiro romance de Rinaldo de Fernandes. Pode-se, sem prejuízo da coerência, defini-lo como uma novela – ou, ainda, um conto, que, a partir do seu núcleo básico, do seu epicentro, expande-se em ondas que vêm, pouco a pouco, penetrando a sensibilidade do leitor, adquirindo novas tonalidades, multiplicando perspectivas, aprofundando a sua estranha e não pouco perturbadora ambigüidade. [...] Como toda boa literatura, o livro de Rinaldo é um convite à decifração, no qual o leitor, ao cabo de tudo, defronta-se consigo próprio, por trás de suas próprias máscaras. Como em alguns dos seus melhores contos, a exemplo de “O cavalo”, “Duas margens”, “O mar é bem ali” e “O perfume de Roberta”, Rita no Pomar guarda nas entrelinhas a sua vocação – que é a vocação, plena, de Rinaldo de Fernandes, como ficcionista. Por isso, a leitura dos seus textos, é, ao final, sempre, um convite à releitura. Como se diz na orelha do livro, de forma bem acertada, “Rita no Pomar parece, à primeira vista, um texto inofensivo”. Nele, encontram-se elementos aparentemente simples: uma jornalista, revisora de textos, que, após deixar a cidade de São Paulo, instala-se numa paradisíaca praia do litoral paraibano. Ali, sobrevive como garçonete, compra uma casa – vizinha à Casa do Pomar – numa praia semideserta e ocupa suas horas brancas escrevendo minicontos, preenchendo um diário caótico e conversando, longamente, interminavelmente, com o seu cão, Pet. Conversando? Seria mais preciso dizer, como o faz Silviano Santiago, no posfácio, realizando “um monólogo-a-dois, em que o cachorro é mero e indispensável acessório teatral”. É nesse monólogo, nesse intenso fluxo de consciência, que a narradora reconstrói, de forma fragmentária, mas sem que se deixe perder o fio narrativo, uma história, na verdade, uma travessia – dramática – mas uma travessia cujas margens mantêm-se, ao final, opacas, indistintas, inquietantes, pois que o seu sentido, se existe, prescinde totalmente de uma conclusão. Embora haja, ao final, uma revelação, uma revelação terrível que redimensiona os sentidos do texto, a história de Rita continua sendo uma espécie de castelo com passagens secretas e calabouços, apenas pressentidos, mas fora do ângulo de vista do seu incauto visitante. As palavras com as quais Rita se revela são as mesmas que a esconde. Quem é, de fato, Rita? Uma vítima de traições sucessivas, dos seus grandes amores – André e Pedro? Uma, como diz Silviano Santiago, “solitária e descontente com a sorte que lhe coube no latifúndio das grandes empresas jornalísticas e no submundo universitário das pequenas falcatruas”, que “migra para o Nordeste supostamente em pleno e alvissareiro desenvolvimento sustentável”? “Uma Medéia tropical, no melhor estilo serial killers de Hollywood”? O que podemos dizer, se não é possível afirmar sequer que o seu discurso é, de fato, verdadeiro, ou mesmo, real? Não importa. No reino da ambiguidade instaurada, o texto de Rinaldo tem a grande qualidade (e aqui me amparo mais uma vez nas palavras de Silviano) de oferecer ao leitor “uma forma bela e incompleta de ver o mundo fragmentado e degradado e as pessoas miseráveis e partidas que nele vivem.” A se expor, mais uma vez, a diáspora, só que, desta vez, num “sentido inverso”, diz Santiago, “são as vidas secas do Sul Maravilha que migram para o Nordeste”, com a intenção de “lavar a alma carcomida pela violência na metrópole”. Mas, nem aqui há uma saída, pois que, no texto implacável de Rinaldo de Fernandes, a violência, como um vírus, viaja com aquela que mais dele deseja livrar-se. Eis, portanto, um romance representativo da nossa tragédia – aquela mesma que você vê, como mera informação, pobre e descontextualizada, nas páginas dos jornais, nas telas das TVs. Rita no Pomar é um esforço – um admirável esforço – de compreendê-la. Carlos Ribeiro, além de escritor e professor da UFBA, é doutor em Letras e jornalista. Autor, entre outros, dos livros O chamado da noite (7Letras, 1997), Abismo (Geração Editorial, 2004) e Lunaris (Banco Capital, 2007). Leia as demais resenhas de Rita no Pomar clicando no site: www.7letras.com.br/detalhe_livro/?id=671
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|