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BLOG DA BELEZA - por Rinaldo de Fernandes


Resenha

 

IMPRESSÕES SOBRE O CONTO

“A MORTA”, DE RINALDO DE FERNANDES

 

 

 

 

 

 

por Allyne Andrade*

  

Acabo de fazer a leitura e a releitura de “A morta”, que está no livro Contos Reunidos, de Rinaldo de Fernandes. “A morta” é um título bem sugestivo para um conto cheio de suspense e inquietações. A trama se inicia durante uma viagem feita por um grupo em direção a uma pequena cidade litorânea (a região da praia é um espaço bastante recorrente nos contos e nos romances do autor). A história é contada por um narrador-personagem cujo nome não é revelado. Ana e Daniel são namorados e estão juntos com o narrador nesse passeio de fim de semana. Eles pretendem chegar a uma casa que fica num morro, a casa de Marcelo e Suzana, “solitária, pequena, num alto”, nas palavras do narrador. Entre beijos, abraços, conversas e bebidas, os três amigos viajam por uma estrada tranquila, até chegar à casa da praia:

 

“[...] O Bugre dava estouros subindo o morro. A estrada agora estava péssima, buracos, pedras, raízes expostas [...]. Afinal, depois de muitos abalos, Ana apontou a casa no alto, uma luz frouxa saindo pela janela [...]” (p. 23)

 

O autor utiliza uma linguagem descritiva ao retratar o espaço interno e externo da casa e em alguns momentos chega a ser poético ao utilizar imagens que vão conferindo certo lirismo à narrativa, como em:

 

“A janela da casa estava aberta, dentro da sala dançava a luz de uma vela” (p. 25). "Um raio de lua entrava pela telha afastada, roçava a perna de Ana” (p. 26)

 

Os viajantes encontram a casa aberta e vazia, nem Marcelo nem Suzana estão lá, e começam as indagações: onde estariam os dois, que deveriam receber os hóspedes? Os visitantes veem uma luz distante, saindo pela porta do barraco de um pescador que fica lá embaixo e imaginam que Marcelo e Suzana estejam lá. No entanto, o cansaço vence Daniel e Ana, apenas o narrador permanece acordado, pensativo, lembrando da namorada que não pôde vir, entre outras coisas... Gostaria de não contar o final do conto, mas preciso fazê-lo para chegar ao ponto principal. Resumindo um pouco, o narrador encontra Marcelo que diz que Suzana está no quarto dormindo e que há horas os dois esperam por eles. Seguem até a casa onde Marcelo diz mostrar Suzana. Dia seguinte começam as indagações de Ana, pois a mesma tinha certeza absoluta de que não tinha ninguém na casa. E o narrador juntamente com Marcelo insistem que Suzana estava no quarto e que devido à bebida eles não perceberam. Tudo mentira, um pescador vem avisar sobre uma moça no rio. Todos correm e descobrem que se trata do corpo de Suzana. Marcelo é um homem extremamente frio, praticamente um ‘ator’, se joga no rio em busca da amada, chora, quando na verdade era ele o algoz e o narrador, seu cúmplice. O que mais me intrigou nesse conto foi o movimento que o autor cria em torno do narrador e de Marcelo, de modo que não deixa evidente todas as pistas que elucidam o caso, mas hora ou outra joga iscas para fazer o leitor pensar. Durante minha primeira leitura tive certeza de que Marcelo era o assassino, pois em alguns momentos o personagem ficava inquieto: “Marcelo, ainda pensativo, coçava o braço com força. Trocava as pernas, estava impaciente” (p. 29). Mas um trecho específico me fez voltar e ler algumas passagens novamente. O primeiro indício que percebi foi sobre a chave da casa. Na hora que eles recebem a notícia de uma moça no rio, Marcelo fecha a casa e sai correndo logo após os outros, entretanto, no momento em que vão transportar o corpo para a Kombi, em direção à cidade, Marcelo apalpa o bolso e entrega a chave para o narrador fechar a casa. Pensei: como assim? Segue o trecho:

 

“Disse que eu fechasse a casa, que ele ia na frente, levar o corpo de Suzana para a capital. Disse ainda, as lágrimas pingando, que eu podia jogar a chave fora:
– Como?... Ah, Marcelo, rapaz... Vai, pode ir, a Kombi já está...
– Estou pedindo, jogue a chave fora!” (p. 32).

 

Após esse indício, comecei a retornar para outros momentos do conto que me deixaram desconfiada. O narrador é o único que afirma ter visto Suzana no quarto após encontrar Marcelo. O narrador também viu na noite anterior algo se mexendo no rio: “Na margem entrançada, do outro lado, alguma coisa mexeu a folhagem” (p. 29). Adiante, ele diz:

 

“quando chegamos ao rio, avistamos o corpo de Suzana flutuando na água, embaraçado nos ramos e nos ciscos da outra margem, no lugar onde eu, na noite anterior com Marcelo, vi a folhagem se mexer” (p. 31).

 

Um outro indício que o autor deixa é no momento em que o narrador encontra Marcelo. Marcelo escuta vozes no rio:

 

“E você não estava ali conversando com uma pessoa, Marcelo?
– Não. Às vezes gosto de falar só. Eu estava conversando com o rio...

– Conversando com o rio?

– É.

Eu ri.” (p. 28)

 

No final do conto, quando estão retornando pra cidade, Ana e Daniel estão super abatidos com o ocorrido, menos o narrador:

 

“Desviei de um caminhão, apertei mais o acelerador. Lembrei de Marcelo na sombra, conversando com o rio. Tive vontade de rir [...]. Depois que urinei, fiz um buraco na areia com o bico do tênis. E enterrei a chave da casa” (p. 32)

 

A forma como o próprio espaço é retratado sugere um suspense, uma desconfiança. Ao mesmo tempo em que há imagens líricas, há também uma sensação sombria. Uma casa na região da praia, em cima de um morro de difícil acesso, sem energia, apenas uma vela acesa que durou pouco, um belo cenário para uma tragédia. O silêncio faz com que o leitor fique sempre na expectativa de que vai acontecer alguma coisa, até pelo próprio título e pelo sumiço temporário dos donos da casa. É realmente um conto envolvente, que faz o leitor pensar e refletir sobre a frieza e a maldade humana. Marcelo, um personagem que havia acabado de ficar desempregado, com prestações da casa para pagar, e um narrador-personagem que encobre o seu crime da maneira mais cínica possível. Nada do que eu comentei chega aos pés da engenhosidade do conto e do trabalho lapidado do autor. Por isso eu recomendo a leitura de “A morta”, de Rinaldo de Fernandes.

 

 

FERNANDES, Rinaldo de. A morta. In: Contos Reunidos. Barueri [SP]: Novo Século, 2016, p. 21-32.

 

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* Allyne Andrade é concluinte do Curso de Letras da Universidade Federal de Campina Grande.



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 13h02
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Leia com exclusividade um trecho do conto “A Morta”:

 

 

Depois de pararmos no restaurante do posto, onde ficamos algum tempo tomando cervejas e comendo carnes, pegamos outra vez a estrada. Eram mais ou menos oito horas da noite de uma sexta-feira. Na pista úmida, as cordas compridas das luzes dos carros — o fim de semana ia ser prolongado e muita gente, como nós, se largava agora para as praias. Um pouco à frente, com os faróis do carro batendo em cheio na placa branca do acostamento, dobramos à direita, seguimos por uma estrada menos movimentada. Havia plantações de milho, moitas beirando as curvas. Achei, coisa que não havia notado na última vez que viera, a pista ali mais estreita. Eu disse, virando-me para Ana e Daniel no banco de trás do carro:

— A pista aqui é mais estreita, percebem?

— É, sim — confirmou Ana.

De qualquer modo, continuei dirigindo tranquilo o velho Bugre preto que o meu irmão nos emprestara. Aqui e ali, entre uma risada e outra de Ana, entre os sons estalando do rádio, chegava à minha boca o copo descartável com o vinho que Daniel levava. E mais risos, muito barulho, como é normal numa turma que, deixando a capital, corre para passar o fim de semana numa casa de campo a uns poucos passos do mar, a ser inaugurada por um casal de amigos.

Ali, soltos na pista, naturalmente que não nos preocupávamos com nada. Ana não parecia ter provas na faculdade, no começo da semana.  Daniel não tinha por que lembrar que, no final do mês, haveria de rodar em gabinetes de diretores de escolas, pedindo para dar aulas no cursinho. Não me ocorria a minha viagem para o Rio de Janeiro, no sábado seguinte, para fazer no jornal o teste de repórter. Após uma hora de viagem, o painel verde do rádio sempre aceso, apareceu o cercado que, eu e Ana sabíamos, indicava a proximidade da pequena cidade litorânea. Paramos no bar da ponta da rua, já ouvindo, não muito longe, o zoar das ondas. Daniel desceu do Bugre, foi comprar cervejas, gelo. Baixei o rádio — subia uma antiga lambada da caixa de som sobre o balcão do bar. Ana, derreada no banco, olhando para o céu, fez um trejeito mole de dança:

— Ah, que bom!

Ali perto, num condomínio com algumas janelas abertas, ouviam-se vozes e tosses daqueles que também estavam por ali para passar o fim de semana. Daniel veio com as latas de cerveja, arrumou-as com o gelo no isopor. Liguei o carro, partimos os três rindo pela rua de asfalto comido, as altas árvores na lateral. Adiante, topamos com o muro de uma peixaria, os letreiros pretos anunciando camarão e lagosta. As esquinas da cidade vazias. Ao cruzarmos uma rua que dava para as barracas na areia da praia, cresceu perto, de um carro de som estacionado em frente a uma churrascaria, um reggae. Algumas pessoas dançavam entre as mesas da calçada. Ana se movimentou no banco. Vamos parar, ela disse, a gente fica só um pedaço aí, quero dançar. Daniel cortou-lhe o entusiasmo — não, Ana, é melhor a gente seguir logo, Marcelo já deve estar esperando, a casa vai ser inaugurada.

— É mesmo — eu disse.

A casa de Marcelo ficava a uns quatro quilômetros dali, solitária, pequena, num alto. Ana, que agora ia apoiada em Daniel, disse, ao dobrarmos a esquina do posto policial, que conhecia um lugar melhor onde deveríamos entrar — você vai aqui, contorna o mercadinho; aí, tem uma estrada de terra... Falei que não era preciso explicar, eu já sabia por onde era. Apertei um pouco mais o acelerador. Fomos, passamos pelo mercadinho, atravessamos uma ponte curta, alcançamos a estrada. Pelo menos de início, ela não estava com buracos. Comentei — a estrada está boa, já andei por aqui com lama, a água tomando tudo. Daniel e Ana não responderam, se beijavam no banco de trás do Bugre.

Virávamos as curvas, nos afastávamos cada vez mais do clarão das luzes da cidade. Por ali, mato cerrado, sítios com plantas, mangueiras. Crescia o cheiro forte da vegetação, as casas beirando a estrada já dormindo. Daniel e Ana continuavam abraçados, se mordendo no banco traseiro. Depois de um silêncio, Ana se mexeu, me ensinou novamente — à direita, não lembra, na bifurcação você pega à direita... Eu já tinha passado por ali, mas não reconhecia a casa, não me lembrava mesmo por onde devia subir o pequeno morro. A casa é pequena, mas é legal, a vista é excelente, de lá a gente enxerga as dunas — disse Ana para Daniel, espocando uma lata de cerveja. Voltou a se entusiasmar — tem um rio perto, amanhã, depois da praia, a gente vai bater água nele; é ótimo! Daniel aí comentou — Marcelo anda folgado, comprando casa perto da praia. Ana defendeu:

— Não, Dani, eles compraram com aperto. Estão pagando as prestações.

— Não está mais aqui quem falou...

[...]

________

 

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Escrito por Rinaldo de Fernandes às 13h00
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Opinião

 

O STF ESTÁ PODRE

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 

 

Sou um indivíduo de convicções. Posso estar errado no que penso, mas é o meu modo de ver a organização social e as coisas da política: com convicção.

Convicto estive e ainda estou de que o impeachment da presidenta Dilma foi uma farsa. Apearam do poder uma presidenta que, embora com problemas em seu governo, inclusive ou sobretudo de popularidade, não tinha que ser deposta por um crime que não cometeu. Não houve “crime de responsabilidade”, imputado pelas Janaínas e Hélios Bicudos de plantão. Pedaladas fiscais houve no passado e continuam ocorrendo – e nem se fala mais nelas. A questão era: tirar a todo custo Dilma do poder.

Tirá-la do poder com um custo enorme para o país e para as suas instituições, que andam aos cacos após a deposição da presidenta; que foram feridas no que há de mais importante numa instituição: a força de sua credibilidade.

As instituições brasileiras, indicou o jornalista Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, estão “podres”. E agrego: o Supremo ainda mais.

O Supremo foi o responsável maior pela crise das nossas instituições: o impeachment de Dilma decorreu de um adiamento, calculado, do Supremo no que se refere à permanência de Eduardo Cunha na presidência da Câmara. O Supremo não tirou Cunha do poder nefasto e manipulador que tinha à frente da Câmara para permitir que ele, Cunha, um conhecido criminoso, e só recentemente encarcerado, conduzisse o impeachment. Ou seja: Dilma foi tirada do poder principalmente pela ação de um criminoso que não deveria estar onde estava. E que só estava porque o Supremo o permitiu.

O Supremo, assim, deixou o país à deriva, tendo que assumir a Presidência um indivíduo cujo programa de governo não foi o escolhido pelo povo através do voto; um indivíduo incompetente, impopular, comprometido com os setores mais conservadores da sociedade, operando, até aqui, para dar mais ganhos aos rentistas, aos grandes grupos de mídia, ao próprio Judiciário e, com seu projeto de reforma da previdência, aos militares das Forças Armadas, que não foram incluídos em seu pacote pernicioso para a aposentadoria dos trabalhadores.

O Supremo, sempre operando ao lado do governo Temer (e não nos esqueçamos da posse de Carmen Lúcia, que, num destempero contra o governo anterior e contra a própria língua portuguesa, refutou a nomeação de “presidenta” do Supremo – para não se parecer em nada com Dilma, que no entanto estava correta e sensível à nossa língua ao querer ser chamada de “presidenta”).

O Supremo atua novamente para proteger o governo Temer: deixa Renan Calheiros, um corrupto de primeira linha, com inúmeros processos nas costas, como presidente de uma das instituições mais importantes da República.

O Supremo, permitindo o que permitiu com Eduardo Cunha e agora fazendo o que fez com Renan Calheiros, protege criminosos. E é esse o papel da mais alta corte de justiça do país?

E mais: corre por aí que um dos ministros do próprio Supremo é que teria instruído Renan a não receber a intimação do Oficial de Justiça. Mas que insulto!

Portanto, em tudo o que está aí, em todo esse imbróglio, há o dedo do Supremo.

É essa a Justiça que nos habita: a que se deixa flagrar junto de corruptos, junto de um indivíduo já denunciado inúmeras vezes na própria Lava Jato, como foi o caso da foto recente do juiz Moro com Aécio Neves, os dois muito sorridentes. É mesmo de fazer sorrir a imparcialidade do juiz Moro!

É aí – além, e sobretudo, das grandes disparidades sociais que voltam a se acentuar no país com a PEC criminosa de Temer –, que reside o nosso infortúnio. E tudo, repiso, com o honroso aval do Supremo Tribunal Federal – neste momento a mais podre das nossas instituições.

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h45
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Prêmio

 

RITA NO POMAR SERÁ

PRÊMIO DE VENCEDORES

DE CONCURSO LITERÁRIO EM SÃO PAULO

 

 

ACADEMIA PERUIBENSE DE LETRAS

 

 

Recebo o e-mail abaixo de Ecilla Bezerra, que mora em Peruíbe (SP). Ecilla pertence à Academia Peruibense de Letras e é proprietária da TV Vale da Artes, daquela cidade do litoral paulista. Ecilla, muito cordial e educada, já me levou para palestra e lançamento de um de meus livros na Academia Peruibense de Letras e para entrevistas em sua TV. Agora, com a comemoração do 12° aniversário de fundação da Academia Peruibense de Letras, houve a segunda edição de um concurso literário. E os vencedores do concurso, segundo a boa notícia que Ecilla me manda, receberão como prêmio exemplar do meu romance Rita do Pomar, que foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura de 2009 e que deverá ganhar um segunda edição no próximo ano. Não tenho como agradecer à querida Ecilla! Muitíssimo obrigado! É uma forma, não só de divulgação, mas também de reconhecimento do meu trabalho de escritor! Eis o e-mail de Ecilla:     

 

PREZADO RINALDO,

 

COMPREI OS 4 ÚLTIMOS EXEMPLARES DE RITA NO POMAR NAS LOJAS AMERICANAS E VOU DÁ-LOS COMO PRÊMIO PARA OS VENCEDORES DO 2º CONCURSO LITERÁRIO QUE PROMOVI.



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 14h33
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Informe

 

PARTICIPAÇÃO NA IV FEIRA DO LIVRO

DE LIMOEIRO DO NORTE (CE)

 

 

 

 

  

Rinaldo de Fernandes, contista, romancista, ensaísta, antologista e professor de literatura da Universidade Federal da Paraíba, com 14 livros publicados, será um dos autores convidados da IV Feira do Livro de Limoeiro do Norte, que acontecerá de 17 a 19 de novembro, com produção de Nenza Costa. Rinaldo, que já foi finalista do Prêmio São Paulo de Literatura com o romance Rita no Pomar, irá lançar os seus Contos Reunidos (Editora Novo Século) e participar de um bate-papo com leitores cearenses.

Limoeiro do Norte, localizada no Vale do Jaguaribe, no Ceará, é a sétima cidade em que Rinaldo de Fernandes lança os seus Contos Reunidos. O livro, que pode ser adquirido nas melhores livrarias e nos melhores sites de vendas, já foi lançado em João Pessoa, Campina Grande, Cajazeiras, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo (na Bienal do Livro).

 

ENCONTRO COM O AUTOR

 

Um dos pontos altos da Feira do Livro de Limoeiro do Norte é o Encontro com o Autor, que acontecerá nos três dias, às 20h30, na Sala dos Autores, na Praça da Matriz, proporcionando uma contato direto entre o autor e seus leitores. A cada dia, autores convidados apresentam uma de suas obras e haverá ainda lançamentos e sessão de autógrafos.

Na quinta-feira, o Encontro será com Rouxinol do Rinaré, autor de Jorge e Carolina, versão de A Viuvinha em cordel, e Evaristo Geraldo, autor de O Pescador Encantado. Neste dia haverá ainda o lançamento do livro Histórias & Estórias, do jornalista Nelson Faheina.

Na sexta-feira o Encontro será com a escritora Arlene Holanda, que lança O piolho, a princesa e o trovador. Para a sessão de autógrafos estarão presentes os poetas Dércio Braúna, autor de Aridez lavrada na carne, e Alan Mendonça, que autografa De Peixes e Aquários e outras obras de sua autoria.

No último dia, os três autores convidados conversam sobre seus novos livros. São eles, Antônio Francisco/RN (Os animais tem razão), Jorge Pieiro (A Menina do picolé azul) e Rinaldo de Fernandes (Contos Reunidos). Em seguida, haverá sessão de autógrafos com a presença dos diversos autores.

 

SERVIÇO

IV Feira do Livro de Limoeiro do Norte - De 17 a 19 de novembro em Limoeiro do Norte/CE. Solenidade de abertura: Dia 17, às 20h, na Praça da Matriz (Praça José Osterne). Informações: (88) 9.9661.0512. www.facebook/brasildedentro.com.br



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 17h23
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Artigo

 

JOVEM, VOCÊ É

DE ESQUERDA OU DE DIREITA?

 

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 

 

Há jovens hoje, quando se fala em esquerda, que estabelecem logo uma relação com partidos políticos: PT, PC do B, PSOL, etc. Essa é também uma relação possível e que deve ser estabelecida – mas o termo “esquerda” tem uma acepção que vai muito além de partidos políticos e de suas atuações no parlamento ou mesmo no executivo. Atuações não raro condicionadas pelas circunstâncias históricas, pelas articulações e finalidades políticas do momento. Neste caso, pode acontecer de os valores da esquerda serem postos de lado, serem considerados parcialmente – ou até mesmo serem traídos.

Esquerda é uma palavra ligada a valores. São certos valores, e não obrigatoriamente partidos, que definem o que é ter um pensamento e uma ação de esquerda. Alguns exemplos.

Eu tenho um amigo e, sempre que convém, nos ritos da amizade, repito que ele conte comigo quando necessário. Mas, às escondidas, o destrato, falo mal dele, desqualifico-o. Sou de um jeito diante dele e de outro na sua ausência. Se puder, e a depender das circunstancias, eu o prejudico com uma atitude desonesta, imprevista por esse meu amigo. Quando faço isso, e se me arrependo, fico imaginando coisas. Sou verdadeiramente fraterno? Ou minha fraternidade está só no discurso que exibo?

Eu observo meu bairro, as ruas de minha cidade. Vejo que as condições de vida da população não são as mesmas: descobri, por exemplo, uma mãe com um filho pequeno dormindo debaixo de uma árvore, ao pé de um muro escuro, a criança sem ter o que comer e a mãe, com um velho vestido, os pés com nódoas, tendo que se submeter às migalhas dos transeuntes. Fico, honestamente, imaginando como será o futuro dessa criança. Fico imaginando e sensibilizado com o que eu poderia fazer, enquanto indivíduo, para dar um futuro melhor para essa criança. O que eu poderia, no meu campo de ação, fazer concretamente, e sem falsas promessas, e sem apenas oferecer esmolas, por essa mãe e essa criança, por essa família que não é a minha?

Tenho um vizinho que é negro. Um outro vizinho, numa discussão, o rebaixou desdenhando de sua cor, chamando-o de “negro imundo”. Eu fiquei imaginando o que o negro não terá sofrido com a expressão “negro imundo” dita com o desdém e a violência com que foi dita. O que eu faria numa situação dessas? Ficaria do lado do agressor ou do agredido?

Meu tio tem uma filha homossexual. Ele já bateu inúmeras vezes na filha e já prometeu expulsá-la de casa, caso mantenha o namoro com uma garota que ela conheceu na porta do cinema. Pelo fato de eu, como meu tio, ser heterossexual, eu vou concordar com as agressões dele? Eu mudo a opção sexual de uma pessoa através de porradas e insultos?

Já deu para perceber que, com os exemplos, eu falei de valores. Falei de fraternidade, de igualdade, de justiça social, de respeito, de dignidade.

Se você tem esses valores de forma sincera, honesta; se você respeita as pessoas e pensa na sua e na dignidade delas; se você quer o bem e boas condições de vida para você e para os outros; se você pensa num país mais esclarecido, com uma cultura de respeito às diversidades, às escolhas pessoais, com um pensamento crítico atuante; se você admite efetivamente a idéia de democracia e a põe em prática; se, enfim, entende que você também é responsável, e muito, pelas injustiças e iniquidades sociais e que, portanto, deve eticamente interferir, fazer algo para que a vida dos mais carentes melhore – você é uma pessoa de esquerda.

A crise hoje no Brasil passa muito por isso. Pela necessidade de o pensamento e atitudes de esquerda serem valorizados, propagados.

A esquerda foi associada ao crime, à corrupção, por conta de certos corruptos que o PT acolheu. A esquerda foi e tem sido criminalizada. Mas os corruptos que o PT acolheu não representam, absolutamente, a esquerda, e nem mesmo grandes e históricos quadros do PT – esses corruptos viraram outra coisa, totalmente diferente dos valores da esquerda. Eles têm práticas tradicionalmente ligadas à direita.

Como a grande mídia, que, evidentemente, é dominada pelo pensamento de direita, neste momento opera uma tenebrosa desconstrução do pensamento de esquerda, claro está que, para os desavisados, para os que têm a mídia como força de verdade, as idéias e os valores da esquerda estão em profunda crise.

Mas, meu jovem, se esses valores estão verdadeiramente em você, ou se você está aberto ou disposto a aceitá-los, dificilmente serão minados por TV, por jornal, por mídia alguma. É só observar os valores que estão na base do movimento de estudantes que neste momento ocupam escolas Brasil afora. Movimento bonito, necessário, e de valores altos!

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h17
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Opinião

 

BOLSONARO NÃO É TRUMP

 

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 

Bolsonaro e Trump: o cinismo os aproxima.
O teor ultraconservador de suas propostas os coloca lado a lado.
Muitos dos eleitores de Bolsonaro pensam (se é que pensam alguma coisa) como os eleitores de Trump.
Enfim, acreditam os apoiadores de Bolsonaro que, eleito Trump, agora é a vez de o Brasil escolher para o Planalto um destemperado, polêmico, agressivo, fanfarrão, que relega os direitos civis. 
Mas os dois personagens, embora com semelhanças, têm diferenças consideráveis.
Trump é um homem de negócios – e, para além de seus destemperos, xenofobismos, sexismos, racismos, enfim, de seu ultradireitismo, estará antenado com o que o mercado solicita, impõe. E tem seu próprio ramo, suas próprias empresas para defender. Ou seja, teve seu ideário político montado, embora não exclusivamente, é claro, a partir da roda-viva do mercado. 
Bolsonaro é um extrema-direita cujo ideário foi montado com o golpe militar de 64. Sua base não é o mercado – mas a ideologia que imperou nos quartéis. E os militares não têm como neste momento cair na aventura (ou desventura) de uma ditadura.
Bolsonaro, que, repiso, se fez em cima de um discurso agressivo, politicamente incorreto, intempestivo, não irá longe – porque as forças que comandam este país são mais de centro-direita do que de extrema-direita. E, nesse campo, o PMDB é a principal frente – ainda e sempre. Por isso que neste momento está no poder com seu presidente tampão.
Bolsonaro irá fazer muito barulho – e continuará obtendo votos e se reelegendo deputado por saber, como ninguém da extrema-direita, utilizar e se adaptar muito bem aos meios de comunicação (que neste momento operam grandes ataques ao pensamento de esquerda). 
Bolsonaro tem como grande credor a mídia. Viveu até agora de alardes – de soltar o verbo para ter o flagrante das câmeras e dos microfones. Sempre cinicamente com o olho no voto. 
Bolsonaro é diminuto – no pensamento e nas ações. Pelo que consta, é um deputado sofrível, de poucos projetos.
Não tem, e jamais terá, estatura de presidente.
Ainda bem!



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 21h44
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Sátira

 

AULA SOBRE SÃO BERNARDO

(OU COMO LER UMA OBRA LITERÁRIA NESTES NOVOS TEMPOS)


 

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 


 

Amados alunos:

 

 

[silêncio na sala]

 


A aula de hoje é sobre o romance São Bernardo, cujo autor, Graciliano Ramos, era comunista – mas não vem ao caso. Não vem mesmo.

 

Paulo Honório é um exemplo de vencedor.

 

Exemplo de obstinação, de dedicação ao trabalho.

 

E só com o trabalho se vence!

 

Paulo Honório afastou do mundo o desânimo, a paralisia.

 

Aprendam como se põe energia nas coisas, como se faz um grande negócio, como se toca pra frente um empreendimento: Paulo Honório!

 

Afaste de seu caminho os que não querem trabalhar, os que não querem fazer o país crescer. É seu dever afastá-los!

 

Chame pessoas certas para lhe auxiliar – e bote essa gente para trabalhar! Faça-as ver que o país é mais importante do que elas. Que elas trabalham, não para enriquecer ninguém, mas para fazer o progresso do país. Façam como fez Paulo Honório – grite, ameace, avance contra os preguiçosos! Você estará fazendo uma grande coisa para a nação!

 

Se for mulher, se case com um homem trabalhador. Ache um Paulo Honório para a sua vida!

 

Se for homem, não se case com mulher que é muito instruída, que saiba mais que você. Não queira mulher que saiba mais que você! Não seria melhor você saber mais ou saber tanto quanto sua mulher? E não se case com mulher fraca feito a Madalena. Um mau exemplo de esposa! Um mau exemplo de quem quer demolir o marido exigindo dele coisas que ele não pode, querendo que ele dê coisas para gente que devia mais era ter respeito e ir trabalhar sempre e sempre. Há parasitas que só querem tirar de quem ganha suando! Pra que escola pros meninos dos outros? Vão, como fez Paulo Honório, vender cocada! Remédio pra quem se feriu trabalhando? Foi o acaso e você não é hospital! Remédio quem paga é a prefeitura, se tiver um prefeito que preste e que seja ativo! Trabalho! Trabalho! Isso é que faz a vida ter saúde!

 

Paulo Honório não comprava matérias em jornais e nem fazia o juiz lhe dar benefícios. Ora! As instituições não beneficiam quem trabalha – elas têm é o dever de estar do lado de quem trabalha, do empresário de visão, que não pensa nele, mas que opera pelo país!

 

Paulo Honório não mandou matar Mendonça, quem disse que mandou? Paulo Honório tava fazendo era a propriedade dele produzir, progredir, e o Mendonça era um demente que estava avançando nas terras de Paulo Honório. Vamos julgar com honestidade: tu deixarias livre, andando pelos caminhos, uma pessoa que quer tomar tuas terras, que quer atrapalhar o progresso do teu país? Uma pessoa que, se passasse mais tempo, podia ela mesma te mandar matar. Olhe, há certas coisas que é bom ter em mente: antes ele do que eu!

 

São Bernardo é um grande livro!


Paulo Honório é um exemplo de brasileiro!

 

 

[aplausos e um assovio]


 

Sigam Paulo Honório!

 

Hastag Paulo Honório!


 

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 13h12
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Opinião

 

JÁ ESTAMOS NUMA DITADURA?

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 

 

Os quatro motivos abaixo induzem a desconfiar que sim:

 

1) A PEC 241 congelou por 20 anos despesas com saúde e educação. Se alguma categoria do funcionalismo público achar ruim, que se contenha, se cale. Segundo determinou o STF, funcionários públicos não poderão fazer greve, sob pena de terem os salários suspensos/descontados. Assim, o direito constitucional e civilizatório de greve foi, em grande medida, abortado. Medida, portanto, própria ou condizente com os estados autoritários e de exceção.

 

2) Nos últimos meses, por iniciativa de setores do Judiciário e da Polícia Federal, já foram 7 as intervenções inconstitucionais, indevidas, como a recente Operação Métis, no Senado (a foto dos carros enfileirados da Polícia Federal na rampa do Congresso é emblemática de um estado autoritário). Renan Calheiros não é nenhum santo e deverá, no momento certo, pagar por seus crimes. Mas tem toda razão ao denunciar as investidas da Operação Lava Jato no Senado, atropelando instâncias e “atentando contra a separação de poderes”, fundamental numa democracia.

 

3) O STF e sobretudo a Operação Lava Jato atuam ou se submetem aos conceitos políticos operados diariamente pelos grandes grupos de mídia, que controlam a opinião pública, que já destituíram uma presidenta eleita democraticamente com 54 milhões de votos, que empossaram e defendem o governo conservador de Temer, o qual está cortando drasticamente investimentos em programas sociais e é um protetor aberto da elite econômica e rentista. Grupos de mídia cujos principais articulistas e comentadores políticos (cooptados e bem pagos para dizerem o que dizem, distorcerem fatos, defenestrarem reputações) condenam e são intolerantes com as correntes de pensamento de esquerda. As ditaduras de direita têm como primeiro passo a censura ao pensamento de esquerda, o controle ostensivo desse pensamento. As ditaduras odeiam o pensamento crítico social, a reflexão responsável e aguda.

 

4) O atual governo é intolerante com manifestações (nenhuma ditadura admite manifestações contrárias), contestando-as com ironias, com desqualificações via imprensa, e, pior, com a força. No Tocantis, estudantes que protestavam contra a PEC 241 foram detidos e algemados ao serem conduzidos para a delegacia. Um deles era menor de idade.

 

Como dizia um velho cronista: tenho dito!

 

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h11
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Conto

 

MELISSA NA PRAIA

 

 

   

por Rinaldo de Fernandes 

 

 

Melissa tem 13 anos e, junto da amiga, alarma-se com o azul da praia – que céu! Os garçons da barraca observam sua dança azeitada na areia, um forró, um funk, um fio que lhe corre do cabelo e que vai no vento. Melissa, a tanga tinindo, rebola – e o ritmo é fome em seus quadris. Tantos olhares! Tem hora que se cansa e se vira para a avenida. E vê um menino carregando cocos num carrinho de mão. E uma velha viúva do tonel de lixo que os garis acabaram de carregar. Melissa, que perdeu a avó que era a sua mãe, tem vontade de ir segurar o caminhar da velha. Melissa olha para a barraca – uma vontade louca de abocanhar um churrasquinho. As nuvens descem para a praia. Os garçons contando os minutos para as areias se fecharem de vez.      

 

 

[De “O Livro dos 1001 Microcontos” – acesse a página no Facebook]

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h36
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Nobel de Literatura

 

BOB DYLAN E CHICO BUARQUE

 

  

O poeta da canção agrega dois talentos: o da palavra e o musical. Bob Dylan não foi só reconhecido mundialmente por ser um melodista/ritmista. Foi reconhecido sobretudo pelo teor de suas canções, pela substância e força de sua palavra. O professor de literatura Anazildo Vasconcelos da Silva, hoje aposentado pela UFRJ, desenvolveu uma tese já a partir dos anos 70 de que os poetas da MPB, pela força e grande qualidade de seus textos, teriam que ser incorporado à tradição da poesia de língua portuguesa. Ou seja, teriam que ser postos ao lado de grandes nomes da poesia, teriam que entrar na história literária. A tese de Anazildo vem se confirmando desde então. Chico Buarque, por exemplo, como poeta, tem seu nome hoje incorporado em livros didáticos, é estudado em inúmeros artigos, dissertações e teses acadêmicas. E os estudos são sobretudo sobre a construção de seus textos, sobre a força de sua palavra. Eu já organizei dois livros, muito conhecidos por brasileiros e estrangeiros, sobre Chico Buarque: o Chico Buarque do Brasil (Garamond/Fundação Biblioteca Nacional, 2004) e o Chico Buarque: o poeta das mulheres, dos desvalidos e dos perseguidos (Leya, 2013). Nesses dois livros, os ensaístas que convidei – professores universitários do Brasil e do exterior, a grande maioria doutores em literatura – se referem sempre a Chico como “poeta”. Nenhum dos ensaístas deixou de reconhecer o grande poeta por trás do melodista. E todos praticamente o aplaudem/reconhecem pelo seu real talento com a palavra. O mesmo digo agora sobre Bob Dylan – reconhecido mundialmente pela grande força de sua palavra, pelas mensagens fortes, agudas, antenado que sempre foi com os dramas humanas do nosso tempo. Bob Dylan, como todo grande poeta, é um humanista. Uma sensibilidade que deve ser laureada. O Nobel de Literatura para ele foi mais que merecido!

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 00h15
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Artigo

 

O FICCIONISTA, INTÉRPRETE DA NATUREZA HUMANA

 

 

 

 

 

 

 

por Rinaldo de Fernandes

 

 

A escrita do romance, diz Valter Hugo Mãe, em entrevista ao site Vacatussa, é uma “longa meditação”. Eu acrescentaria: o romance, se bem executado, propõe também ao seu leitor uma ampla reflexão.

O conto, do mesmo modo. Muita coisa reverbera na gente após a leitura de um grande conto. Porque, como queria Julio Cortázar, um grande conto atinge a nossa sensibilidade e a nossa inteligência.

Impressiona-me muito, até hoje, por exemplo, um conto do próprio Cortázar – “A autoestrada do sul” (que está no livro Todos os fogos o fogo, de 1966). Para mim, é um conto profético, que consegue dimensionar o que é o automóvel, ou o valor que ele representa em nossa sociedade. O automóvel é símbolo de status, diferenciador de classe social? Sim. Os indivíduos, em seus automóveis, incomunicáveis, expressariam um tipo de solidão moderna? Sim. A aposta no automóvel, que foi feito para dinamizar a vida, para o transporte rápido, não é uma espécie de contra-senso nas grandes cidades de hoje, com a imobilidade e o estresse dos grandes engarrafamentos? Sim. A necessidade de afeto, de solidariedade para enfrentar uma situação-limite que a todos atinge (no caso do conto, um engarrafamento que traz dissabores e impeditivos para a sobrevivência dos motoristas), não é da condição humana? Sim. Sentimos nostalgia dos afetos perdidos, algo tão bem configurado na narrativa com o engenheiro do Peugeot 404? Sim. Na vida atomizada na grande cidade é rarefeita a reunião de pessoas que, efetivamente, se gostam e sentem a indispensável necessidade do bom convívio? Sim. São indagações, entre outras, que “A autoestrada do sul” me propicia.

E há uma voz narrativa sensível, lírica, nesse conto, como em tantos outros de Cortázar, que me faz sempre voltar a ele, me envolver com o ambiente da estrada, com a atmosfera poética daquela borboleta branca que passa, voa para o distante, some no crepúsculo, enquanto os automóveis estão paralisados, imobilizados pelo incrível engarrafamento que dura semanas. Cabe ao próprio narrador traduzir a sensação dos motoristas que vivem a experiência do imenso engarrafamento, que se inicia num domingo à tarde, à entrada de Paris: “a sensação contraditória de enclausuramento em plena selva de máquinas concebidas para correr”. Essa não é uma sensação muito atual, de quem diariamente vive as situações de imobilidade urbana? Sim. Enfim, para Cortázar, o automóvel, flagrado no conto na ‘absurda’ situação de um engarrafamento interminável, para além do bem ou do conforto (individual, sobretudo) que ele propicia, termina se tornando um equipamento dramático e mesmo trágico da vida moderna.

Então, voltando a Valter Hugo Mãe, se o romance ou a literatura, para quem escreve (e também para quem lê, repito), é um ato de “meditar”, meditemos. 

Meditemos sobre o tema desta mesa: “A construção da personagem feminina na literatura contemporânea”.

Estamos, eu e o meu colega de mesa, submetidos às questões: um escritor elabora do mesmo modo que uma escritora a personagem feminina? Há literatura de homem e de mulher? Ou há apenas literatura?

Retomo Valter Hugo Mãe, que afirma, enquanto criador de personagens:

 

“Estou sempre fascinado com a oportunidade de imaginar a vida de outras pessoas. Isso retira-me também da minha vida. [...] Gosto de pensar em ser outro.”

 

 “Ser outro”, apropriar-se “da vida de outra pessoa” – eis o ponto principal para o ficcionista. A tarefa de quem escreve ficção, portanto, é construir com talento, com poder de persuasão, “a vida de outra pessoa”, ou de “outras pessoas”. Isso é o mesmo que mímese para Aristóteles. Ou seja, a imitação ou a representação que a literatura faz da vida. O verbo “representar” cabe bem no caso – eu vivo ou “represento”, pela escrita ficcional, pessoas. Os personagens partem de ou evocam pessoas.

E a pessoa que vai servir de base, que vai virar personagem pela mão do ficcionista pode ser qualquer uma. Independe de gênero, de classe social, de etnia, etc. O ficcionista se faz, verdadeiramente, por saber compor o personagem, que, repiso, é a representação de um tipo histórico-social qualquer.

Ora, se é assim, o problema não é ser homem ou mulher, ser escritor ou escritora, para elaborar ficcionalmente “a vida de uma pessoa”. É necessário, antes de tudo, ser ficcionista. Imaginar pessoas e situações e saber expô-las num enredo.

Eu, através de meus contos e romances, já fui muitas pessoas. Já fui um cafajeste que tentou enforcar uma mulher (no conto “Confidências de um amante quase idiota”), já fui um tipo pervertido que deseja a própria filha (no conto “O perfume de Roberta”), já fui, por assim dizer, uma psicopata (no romance Rita no pomar, indicado para o Prêmio São Paulo de Literatura de 2009), já fui um furioso mendigo assassino (no conto “Ilhado”), já fui, ao mesmo tempo, duas mulheres traídas (no conto “Duas margens”), já fui um músico e professor vítima de traições dolorosíssimas (no romance Romeu na estrada), já fui uma solitária professora aposentada (no conto “O mar é bem ali”), já fui um indivíduo desamado e contagiado por um vírus (no conto “Dois buracos para os meus olhos”), já fui um imbecilizado que anda pela cidade montado numa égua (em “Beleza”, que venceu o Prêmio Nacional de Contos do Paraná de 2006), já fui uma mãe que teve o filho morto por um policial (no conto “O último segredo”), já tentei matar a noiva depois de irmos ao shopping (no conto “Pássaros”), já fui uma jovem que se apaixonou por outra (no conto “A tragédia prima de Silvia Andrade”), já fui um sem-teto que invadiu uma mansão e passou a ser perseguido pelo proprietário da mesma, que também morava no imóvel (no conto “O caçador”), já transei com uma velha bem velha numa noite, numa praia (no miniconto “A velha madame”), já me encantei por uma bela e pobre ninfeta na rodoviária, quando ela ia pegar o ônibus para migrar para São Paulo (no conto “Borboleta”), já fui um poeta que mata friamente uma mulher que lhe diz um “não” (no conto “Você não quis um poeta”), já fui uma estuprada numa rua sombria (no conto “A rua que respira pouco”), enfim, já gritei por dentro a dor de uma separação (no conto “O último café”).

Foram vidas que vivi em minhas ficções. Personalidades que assumi. Porque o ficcionista, como o ator, vive papéis. E a ficção, essa representação de tipos humanos, de qualquer tipo humano, reafirmo, independe de gênero, de ser feita por escritor ou por escritora. A grande busca do ficcionista é, no fim, a natureza humana.

Busco, com as minhas personagens femininas e com as masculinas, investigar, com a maior abrangência possível, a natureza humana. Aquilo que habita nas profundezas da nossa alma. No que diz respeito mais especificamente às personagens femininas: procuro também, através delas, pensar a condição da mulher na sociedade atual. Tento fazer com que o leitor medite acerca da figura feminina que está na trama. Algumas de minhas figuras femininas são muito fortes, como a vingativa e violenta Rita, protagonista do romance Rita no Pomar; outras são resistentes, não decaem com a solidão, como a professora aposentada do conto “O mar é bem ali”; há as enciumadas e de uma perversidade calculada, como uma das protagonistas do conto “Duas margens”; há aquelas que se tornam vítimas das desigualdades sociais, partindo para a prostituição, como as adolescentes dos contos “Oferta” e “O perfume de Roberta” (mesmo prostituídas, são personagens relutantes, que esboçam uma força). Creio que há poucas mulheres frágeis em minha ficção, vítimas desoladas dos homens. Mas, repito, para concluir: antes da configuração social, dos papéis que as mulheres cumprem na sociedade, me interessa mais dimensionar a natureza humana através de minhas personagens, tanto as femininas como as masculinas. E a natureza humana, obviamente, não tem sexo.

 

 

[Texto apresentado, em 03/10/2016, em debate no Curso de Letras da Universidade Federal de Campina Grande, para alunos de literatura de disciplina ministrada pela professora Paloma Oliveira. O debate, com a participação dos escritores Rinaldo de Fernandes e Roberto Menezes, teve como tema principal a personagem feminina sob o ponto de vista da escrita masculina]

         

 

 



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 17h47
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Conto

 

GIRAFAS

 

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por Rinaldo de Fernandes

 

Parei o carro no sinal. Havia um longo muro à minha esquerda. E um policial que, de repente, do nada, apareceu. E bateu com os dedos no vidro de minha janela. Eu abri – ele me pediu o documento do carro. Fiquei esperando ele averiguar os dados, dobrar e desdobrar o documento atrás de alguma informação. Ele colocava o documento contra a luz, lia com atenção. Depois o apoiava contra o muro, como se tivesse ávido por coisas consistentes. Nisso, meu filho, que estava no banco de trás, começou a cochilar. E o policial ali no muro, bem acordado sobre o meu documento. Não tardou, apareceu uma viatura – e um outro policial desceu para se agregar ao primeiro e averiguar melhor o meu documento. Eles o liam concentrados, de vez em quando me observando. E meu filho se movia no banco, com um sono insatisfeito. Após três horas, notei que o policial que continuava estudando o meu documento, e que de vez em quando me olhava como que achando que eu poderia sair em disparada, já não era o primeiro que me havia abordado e nem o segundo que havia aparecido. Então, para um documento tão difícil de ser interpretado, resolvi relaxar um pouco no banco, à direção, meu filho já ressonando há tempos. Relaxei tanto, que acordei no dia seguinte, com mais um policial, esse bem alto e robusto, atracado com o meu documento, avaliando-o contra os raios da manhã. E chegou a tarde e um sol que machucava os pés do meu filho, que acabara de acordar, agora me pedindo uns biscoitos que eu trazia no porta-luvas. E à noite, quando veio a policial de saia cinzenta e segurou meu documento, lendo-o, à luz do poste, com cara de fúria, percebi que não sairia dali antes da madrugada. E no quarto dia, eu e meu filho comendo os sanduíches e tomando as águas que os meninos vendiam no sinal, já não tinha só um policial ali diante do muro, mas três estudando o meu documento – e nunca me liberavam. Eu e meu filho, quando muito apertados, entreabríamos de leve uma das portas do carro, fazíamos as nossas necessidades pela grade de um esgoto que estava no mesmo nível da porta. Então, na tarde do décimo dia, criei coragem e perguntei quando, afinal, eles me liberariam. E, passados quatro meses, eu e meu filho, muito sujos, com as roupas que numa manhã de domingo um ambulante passou vendendo no sinal, finalmente tivemos uma solução. Chegaram cinco policiais e o capitão deles anunciou que o meu filho estava liberado. E que eu iria à delegacia mais próxima prestar um depoimento – e me empurraram para dentro do camburão, dizendo que eles tinham pressa, pois uma girafa tinha escapado do zoológico e eles tinham que ir correndo auxiliar na captura dela. Um dos policiais já olhava para as alturas, para ver se via algum longo pescoço esticado – o verdadeiro documento que comprova que existem girafas neste mundo.      



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 08h31
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Informe



 

 

 

LANÇAMENTOS EM BELO HORIZONTE E SÃO PAULO



Estou lançando meu livro Contos Reunidos (Ed. Novo Século) em Belo Horizonte hoje, dia 01/09, 

a partir das 19h00, no Espaço Cultural Letras & Ponto, da poeta e querida amiga Dagmar Braga. Aqui em BH gravei ontem para o programa de entrevistas Literatura no Boteco, produzido pelos escritores Eduardo Sabino (que este ano venceu o concurso de contos do Prosa & Verso, do Jornal O Globo) e Cristiano Rato e pelo cineasta Flávio Coelho. Amanhã, dia 02/09, é a vez de São Paulo. Estarei lançando e autografando o Contos Reunidos, de 20h00 às 21h00, na Bienal do Livro de São Paulo, no estande da Novo Século, como autor convidado da editora. Todos convidados!

Nenhum texto alternativo automático disponível.


Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h29
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Artigo

 

CEGUEIRA E LINCHAMENTO

 

   

por Raduan Nassar*

 

 

O inglês Robert Fisk, em artigo no jornal londrino "The Independent", afirma que, segundo as duras conclusões do relatório Chilcot sobre a invasão do Iraque, o ex-primeiro ministro Tony Blair e seu comparsa George W. Bush deveriam ser julgados por crimes de guerra, a exemplo de Nuremberg, que se ocupou dos remanescentes nazistas.

O poodle Blair se deslocava a Washington para conspirar com seu colega norte-americano a tomada do Iraque, a pretexto de este país ser detentor de armas de destruição em massa, comprovado depois como mentira, mas invasão levada a cabo com a morte de meio milhão de iraquianos.

Antes, durante o mesmo governo Bush, o brutal regime de sanções causou a morte de 1,7 milhão de civis iraquianos, metade crianças, segundo dados da ONU.

Ao consulado que representava um criminoso de guerra, Bush, o então deputado federal Michel Temer (como de resto nomes expressivos do tucanato) fornecia informações sobre o cenário político brasileiro. "Premonitório", Temer acenava com um candidato de seu partido à Presidência, segundo o site WikiLeaks, de Julian Assange.

Não estranhar que o interino Temer, seu cortejo de rabo preso e sabujos afins andem de braços dados com os tucanos, que estariam governando de fato o Brasil ou, uns e outros, fundindo-se em um só corpo, até que o tucanato desfeche contra Temer um novo golpe e nade de braçada com seu projeto de poder -atrelar-se ao neoliberalismo, apesar do atual diagnóstico: segundo publicação da BBC, levantamento da ONG britânica Oxfam, levado ao Fórum Econômico Mundial de Davos, em janeiro, a riqueza acumulada pelo 1% dos mais ricos do mundo equivale aos recursos dos 99% restantes. Segundo o estudo, a tendência de concentração da riqueza vem aumentando desde 2009.

O senador Aloysio Nunes foi às pressas a Washington no dia seguinte à votação do impeachment de Dilma Rousseff na exótica Câmara dos Deputados, como primeiro arranque para entregar o país ao neoliberalismo norte-americano.

Foi secundado por seu comparsa tucano, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, também interino-itinerante que, num giro mais amplo, articula "flexibilizar" Mercosul, Brics, Unasul e sabe-se lá mais o quê.

Além de comprometer a soberania brasileira, Serra atira ao lixo o protagonismo que o país tinha conseguido no plano internacional com a diplomacia ativa e altiva do chanceler Celso Amorim, retomando uma política exterior de vira-lata (que me perdoem os cães dessa espécie; reconheço que, na escala animal, estão acima de certos similares humanos).

A propósito, o tucano, com imenso bico devorador, é ave predadora, atacando filhotes indefesos em seus ninhos. Estamos bem providos em nossa fauna: tucano, vira-lata, gato angorá e ratazanas a dar com pau...

Episódio exemplar do mencionado protagonismo alcançado pelo Brasil aconteceu em Berlim (2009), quando, em tribunas lado a lado, a então poderosa Angela Merkel, depois de criticar duramente o programa nuclear do Irã, recebeu a resposta de Lula: os detentores de armas nucleares, ao não desativá-las, não têm autoridade moral para impor condições àquele país. Lula silenciou literalmente a chanceler alemã.

Vale também lembrar o pronunciamento de Lula de quase uma hora em Hamburgo (2009), em linguagem precisa, quando, interrompido várias vezes por aplausos de empresários alemães e brasileiros, foi ovacionado no final.

Que se passe à Lava Jato e a seus méritos, embora supostos, por se conduzirem em mão única, quando não na contramão, o que beira a obsessão. Espera-se que o juiz Serio Moro venha a se ocupar também de certos políticos "limpinhos e cheirosos", apesar da mão grande do inefável ministro do STF Gilmar Mendes.

Por sinal, seu discípulo, o senador Antonio Anastasia, reproduz a mão prestidigitadora do mestre: culpa Dilma e esconde suas exorbitantes pedaladas, quando governador de Minas Gerais.

Traços do perfil de Moro foram esboçados por Luiz Moniz Bandeira, professor universitário, cientista político e historiador, vivendo há anos na Alemanha. Em entrevista ao jornal argentino "Página/12", revela: Moro esteve em duas ocasiões nos EUA, recebendo treinamento. Em uma delas, participou de cursos no Departamento de Estado; em outra, na Universidade Harvard.

Segundo o WikiLeaks, juízes (incluindo Moro), promotores e policiais federais receberam formação em 2009, promovida pela embaixada norte-americana no Rio.

Em 8 de maio, Janio de Freitas, com seu habitual rigor crítico, afirmou nesta Folha que "Lula virou denunciado nas vésperas de uma votação decisiva para o impeachment. Assim como os grampos telefônicos, ilegais, foram divulgados por Moro quando Lula, se ministro, com sua experiência e talento incomum de negociador, talvez destorcesse a crise política e desse um arranjo administrativo".

Lula não assumiu a Casa Civil, foi rechaçado no Supremo Tribunal Federal pelo ministro Gilmar Mendes, um goleirão sem rival na seleção e, no álbum, figurinha assim carimbada por um de seus pares, Joaquim Barbosa, popstar da época e hoje estrela cadente: "Vossa Excelência não está na rua, está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro... Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar".

Sugiro a eventuais leitores, mas não aos facciosos que, nos aeroportos, torciam o nariz ao ver gente simples que embarcava calçando sandálias Havaianas, que acessem o site Instituto Lula - o Brasil da Mudança.

Poderão dar conta de espantosas e incontestes realizações. Limito-me a destacar o programa Luz para Todos, que tirou mais de 15 milhões de brasileiros da escuridão, sobretudo nos casebres do sertão nordestino e da região amazônica. E sugiro o amparo do adágio popular: pior cego é aquele que não quer ver.

A não esquecer: Lula abriu as portas do Planalto aos catadores de matérias recicláveis, profissionalizando-os, sancionou a Lei Maria da Penha, fundamental à proteção das mulheres, e o Estatuto da Igualdade Racial, que tem como objetivo políticas públicas que promovam igualdade de oportunidades e combate à discriminação.

Que o PT tenha cometido erros, alguns até graves (quem não os comete?), mas menos que Fernando Henrique Cardoso, que recorria ao "Engavetador Geral da República", à privataria e a muitos outros expedientes, como a aventada compra de votos para sua reeleição.

A corrupção, uma enfermidade mundial, decorre no Brasil do sistema político, atingindo a quase totalidade dos partidos. Contudo, Lula propiciou, como nunca antes, o desempenho livre dos órgãos de investigação, como Ministério Público e Polícia Federal, ao contrário do que faziam governos anteriores que controlavam essas instituições.

A registrar ainda, por importante: as gestões petistas nunca falaram em "flexibilizar" a CLT, a Previdência, a escola pública, o SUS, as estatais, o pré-sal inclusive e sabe-se lá mais o quê, propostas engatilhadas pelos interinos (algumas levianamente já disparadas), a causar prejuízo incalculável ao Brasil e aos trabalhadores.

Sem vínculo com qualquer partido político, assisto com tristeza a todo o artificioso esquema de linchamento a que Lula vem sendo exposto, depois de ter conduzido o mais amplo processo de inclusão social que o Brasil conheceu em toda a sua história.

 

________________

* Raduan Nassar é autor dos livros Lavoura arcaica (1975), Um copo de cólera (1978) e Menina a caminho e outros textos (1997). Obteve este ano o Prêmio Camões, o mais importante da língua portuguesa.

 

(O artigo acima foi publicado na Folha de S. Paulo, em 21/08/2016. Clique aqui para lê-lo no site do jornal)  



Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h12
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