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Moreira Campos DEPOIMENTO SOBRE O CONTISTA MOREIRA CAMPOS
 por Rinaldo de Fernandes Conheci Moreira Campos no pátio da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Ceará. Magro, sempre de terno, acenando para os alunos – uma simpatia em pessoa. Como aluno da Faculdade, nunca deixei de assistir a uma palestra do professor Moreira Campos. Grande orador, sempre admirei a sua prosa penetrante, divertida. Profundo leitor de Machado de Assis (de quem narrava cenas inteiras, para lembrar a ambiguidade dos personagens, o interesse humano por trás dos “bons” gestos), de Eça de Queirós e de Graciliano Ramos, de quem herdou o estilo enxuto, preciso, seco. Quando descobri o contista Moreira Campos, minha admiração redobrou, resultando numa verdadeira obsessão pelas narrativas curtas do Mestre. Li muito Moreira Campos, autor de contos soberbos – “O preso”, “Lama e folhas”, “O peregrino”, etc. Cheguei a entrevistá-lo (a entrevista foi estampada no jornal “O Povo”). Mostrei meus primeiros contos para ele – e dele recebi um incentivo fundamental para um jovem que, àquela altura (meados dos anos 80), queria imensamente se tornar escritor. Daí em diante, nos tornamos amigos. A Moreira Campos, grande referência para mim (como pessoa, como professor e como escritor), agradeço, sempre, as primeiras palavras sinceras de incentivo. (Dei o depoimento acima para o site Universo Moreira Campos, coordenado pelo escritor cearense Nilto Maciel. Endereço do site: www.universomoreiracampos.blogspot.com)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 18h06
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Resenha RITA NO POMAR

por Leonardo Davino de Oliveira* (16/01/2012) “Eu vou te contar que você não me conhece/ Eu quero que você me veja nua/ Eu me dispo da notícia”, diz o sujeito do texto de Fauzi Arap, na voz áspera de Maria Bethânia (Pássaro da manhã, 1977). Sujeito este que em muito se assemelha à narradora do romance Rita no pomar, de Rinaldo de Fernandes (7 Letras). Lançado em 2008, Rita no pomar tem uma narradora que complexifica aquilo que os manuais de literatura definem como sendo em “primeira pessoa”. Isto porque Rita – a narradora – não se satisfaz em contar verbo-escrituralmente aquilo que lhe move. E faz uso do verbo-vocal para ampliar a rede de significantes que ela espalha ao longo do texto. A voz narrativa, seja dos contos/anotações dentro do romance, seja da vocalização de Rita em diálogo com o cachorro que ela encontrou (ou será que foi ele que a encontrou?) na rua e que agora ela mantém por perto, vem de um recanto escuro, onde só com a infiltração de luzes perpendiculares – ligadas aqui e ali no livro, através dos artifícios estéticos elaborados por Rinaldo de Fernandes – podemos vislumbrar. A todo instante está em cena a perícia do autor: no equilíbrio do recolhimento do que Rita vocaliza ao cachorro e do que ela escreve. Sem pesar para nenhum dos lados, fazendo o logos dançar entre voz e escrita, Rinaldo constrói um tecido textual nervoso onde sua personagem chafurda na consciência-de-si. Rita revira labirinticamente a cronologia dos dados: torce os tempos verbais. Sem querer chegar a ponto algum, muito menos à origem do descarrilamento de sua existência, Rita é o próprio turbilhão de atos e omissões que lhe fazem contar-se: ela canta e recanta filigranas de sua persona, dos crimes que só ela sabe que cometeu. “Ninguém nunca me viu”, anota, comum que é entre os comuns que povoam o mundo. É na voz – palavras ao vento – que Rita registra seus crimes. Não na escrita. A escrita sugere, a voz dá unicidade, assina. Enquanto a Rita-vocal tem apenas o cão Pet como ouvinte, a Rita-escritora tem a seu favor a permanência física da escrita. Aliás, o nome do animal – Pet – iconiza com precisão tanto o modo como Rita tenta domesticá-lo, fazê-lo seu, como a ideia mesmo do útil, porém, descartável. Além da lógica referência à noção de fidelidade que o cão carrega. Importa apontar que, ainda em São Paulo, foi no pacato Rex que Rita se abrigou: “Só o Rex me tirava da tristeza quando não aparecia nada”, diz. Rita descobre que sua mãe (Lúcia) tem um caso com André, seu marido. Depois de matar os dois a jornalista paulista se autoexila em Pomar, mas parece não desistir do amor, de encontrar alguém que lhe seja fiel. Surge Pedro, que mais tarde também será morto por Rita, quando ela descobre que ele tem um amante. Pet parece ser, por enquanto, a representação da fidelidade transferida ao outro. Isso sem contar o leitor: cúmplice e fiel às broncas e rasgos de afeto da narradora. Rita não está por inteiro nem na voz, nem na escrita, mas na ponte que vai de um para o outro modo de ser e estar no mundo. (“Ao fim de tudo você permanece comigo, mais preso ao que eu criei e não a mim”, canta Bethânia). Ao contar-se, Rita seduz o leitor, escraviza-o cão fiel ao seu ritmo e aproxima-o de suas respirações e reticências noturnas: numa amargura doída que contrasta e luta eroticamente com o calor solar e o vento buliçoso e praieiro do Nordeste. A estrutura formal do livro emoldura e desenha a personagem-narradora. Rita no pomar não tem gorduras, não se estica: é teso e direto. Estranha pela competência que Rita tem ao compor-se cruel – “E não late, que eu também te mato!”, diz ao fiel Pet – frente ao mundo igualmente áspero que lhe fez ser o que é: voz e escrita em fragmentos sem a necessidade de restituição de um todo. E é nisso em que o livro se avoluma: Rita não se conta (canta) para se reconstituir, redesenhar–se diante dos olhos e/ou ouvidos de Pet, ou do leitor de Rita no pomar. Ela se conta pelo sabor estúpido do gesto, como quem colhe uma fruta, morde e deita-a fora por senti-la azeda, verde. Em seu arranjo (fazer, desfazer e refazer) literário, Rinaldo cria um texto aceso e febril ao espalhar ao longo de Rita no pomar o gosto travoso da experiência radical e perigosa de fazer de Rita a aparência do que, de fato, ela é: o centro das atenções, a mentira que só diz verdades, aquela que só é quando se diz ser. A voz de Rita assina e presentifica o que ela escreve. Semelhante à grande parte dos humanos, prenhe de vontade de reconstrução e fuga, Rita descobre instintivamente – despida de desejos de sentidos – que é compondo seu canto que ela toca o mundo. (“E a minha nudez parada, te denuncia, e te espelha”, canta Bethânia). Nua no último segundo de seu monólogo humano, mas porque sempre assim esteve e só o leitor não percebeu, ou não quis perceber, Rita mexe com alguma coisa de impronunciável: o gesto diante da frustração do desejo. E Rita é só desejo. Ao se acusar, Rita relata o leitor-ouvinte a si mesmo e assim se livra das palavras – vocalizadas e escritas – com as quais ela se veste. Pet sabe demais: “E não late, que eu também te mato!”. O leitor sabe demais: “Já estava em não sei qual rascunho do Pai, que eu tinha que naquela tarde topar com o Pedro”. Sexo no cemitério. Papel com esperma sobre a cruz funerária. Prazer e morte. Pomar é aqui. Pomar não é aqui: dentro do canto de Rita, na seleção e na montagem de Rinaldo de Fernandes. * Leonardo Davino de Oliveira, segundo afirma, é Paraioca. Pesquisador, ensaísta e escritor, especialista e mestre em Literatura Brasileira. Doutorando em Literatura Comparada com projeto sobre Canção (Poéticas vocais) e Teoria da Literatura. Assina o blog Lendo Canção: http://lendocancao.blogspot.com. A resenha acima foi publicada no blog Musa Rara – Literatura e Adjacencias.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 18h35
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Coluna Rodapé Jan./2012 O NAMORO DAS PÁGINAS: LITERATURA E HISTÓRIA (3) 
É sempre bom ter em mente, para se começar um debate mais profundo sobre as relações entre literatura e história, algumas noções que compõem o texto da Poética, de Aristóteles. Sabe-se que é muito cara a Aristóteles a noção de verossimilhança, sem a qual não haveria mímese (imitação) em poesia. A poesia (Aristóteles tem em mente os modelos da tragédia, da epopéia e da comédia) é uma totalidade que não corresponde a acontecimentos reais ou históricos, mas a acontecimentos possíveis. A totalidade/unidade da poesia torna-a mais universal do que a história, que trata do particular. A unidade da poesia compreende uma ação completa (um todo com começo, meio e fim). Ação essa que, sendo de um acontecimento possível, deve ter conexão causal para atingir um efeito (catarse). A verossimilhança é que torna esse todo (que em Aristóteles podemos chamar de mímese ou mito) persuasivo. Ela é que faz a ficção funcionar — pela lógica interna que confere ao texto poético. Aristóteles, com sua teoria da mímese, é o primeiro a mostrar que a literatura é forma (os meios e os modos da imitação) e conteúdo (os objetos da imitação). É o primeiro a mostrar que a literatura é autônoma em relação ao real, ao mesmo tempo que se submete a esse mesmo real (os objetos da imitação poética são sempre homens em ação, para nos possibilitar um conhecimento advindo principalmente do reconhecimento das situações tratadas na obra). Com Aristóteles aprendemos que a literatura é sempre imitação criativa. A literatura é imitação criativa porque se submete ao real, imita-o, mas também inventa em cima dele. O real, portanto, está em toda imitação. Assim como a invenção. E o sentido que Aristóteles dá ao possível (ao que poderia ter acontecido) é indissociável do sentido de persuasão. O possível, para ele, deve ser persuasivo. Daí a verossimilhança aristotélica estar bem perto da nossa percepção do real. Já a história é tida como relato do que aconteceu. Neste caso, não caberia a imitação criativa — mas a descrição do fato. O real limpo de imaginação. (Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, e no Correio das Artes, de João Pessoa. Para ler as demais colunas, clique aqui)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h27
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Promoção de fim de ano DÊ DE PRESENTE AUTOGRAFADO!PROMOÇÃO IMPERDÍVEL! 
Super promoção do Blog: os três livros acima por apenas 25,00 (cada um deles custa 29,00 nas livrarias e sites de vendas) O Blog da Beleza, mais uma vez, faz sua promoção de final de ano. Adquira por apenas 25,00 (vinte e cinco reais) um kit, para presentar os seus bons amigos, com os meus três livros de ficção: Rita no Pomar (romance finalista, em 2009, do Prêmio São Paulo de Literatura e do Prêmio Passo Fundo Zaffari & Bourbon de Literatura, com posfácio de Silviano Santiago, e que vai virar um longa de Marcus Vilar), O Perfume de Roberta (livro de contos, com prefácio de Moacyr Scliar, do qual consta "Duas Margens", que virou recentemente um curta de Ian Abé) e O Professor de Piano (livro de contos, com posfácio de Regina Zilberman, que abre com "Beleza", vencedor do Prêmio Nacional de Contos do Paraná de 2006). Frete grátis! Faça seu pedido agora mesmo pelo e-mail: blogdabeleza@bol.com.br Ou ainda através aqui do Blog da Beleza. Lembrando: cada um dos livros, nas livrarias ou em sites de vendas, custa em média 29,00 (vinte e nove reiais). Portanto, é uma super promoção!
Como proceder: Deposite os 25,00 para Rinaldo N. Fernandes na conta 79.029-X, agencia 1619-5, do Banco do Brasil. Depois confirme o depósito, dizendo o dia em que foi feito, e informe direitinho o endereço para onde os livros deverão seguir. É fácil!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 15h43
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Coluna Rodapé Dez./2011 O NAMORO DAS PÁGINAS: LITERATURA E HISTÓRIA (2)

Anatol Rosenfeld (in: O teatro épico. São Paulo: Perspectiva, 1985) aponta as características principais dos três gêneros literários. A lírica é o texto em que uma voz central exprime estados interiores, disposições anímicas — não havendo, por isso, uma configuração mais visível de personagens; há nela a presença de ritmo, musicalidade; é acentuada a carga conotativa das palavras; e torna-se mais perceptível do que nos outros gêneros a tentativa de fusão sujeito (eu lírico) e objeto (referente). A épica, por sua vez, exige a presença de um narrador que descreve acontecimentos ou eventos; nesses acontecimentos, há a configuração de personagens; a linguagem é mais denotativa; e há — em relação à lírica — um maior distanciamento entre sujeito e objeto. Por fim, a dramática é a obra dialogada que traz personagens atuando por si, com ausência de narrador (este aparece apenas nas rubricas ou marcações textuais); é representada no palco por atores que se exprimem através da voz e gestos. São essas, portanto, em linhas gerais, as formas (ou “arquiformas”) que a literatura assumiu no tempo. Acrescente-se a elas a ficcionalidade como um outro elemento que ajuda a compreender o caráter do literário. Por sua vez, a história pretende-se uma ciência, com métodos próprios, que busca ler/entender o passado. Ela é uma narrativa desse passado, do real ocorrido, sendo que o documento é a fonte necessária a que o historiador recorre para construir a sua narrativa. Os documentos são de várias formas (textos escritos, relatos orais, histórias de vida, etc.) e sem eles não há história, não há reconstituição do passado. O discurso histórico, por outro lado, se reconstrói permanentemente para, assim, ampliar, confirmar ou até mesmo negar o passado. Do mesmo modo que a literatura, a história é uma representação do real — só que pretensamente científica e buscando sempre a sua verdade nos documentos. A verdade da história está nas fontes encontradas, sobre as quais o historiador elabora a sua narrativa. Ora, quando nos deparamos com um texto como A guerra do fim do mundo, do Prêmio Nobel Mario Vargas Llosa, em que o escritor, à maneira de um historiador, pesquisa um acontecimento numa vasta documentação e o produto da sua investigação ganha corpo no seu romance, é de se perguntar até que ponto a literatura, em certos casos, também não adota critérios muito próximos daqueles da história enquanto disciplina — critérios, por assim dizer, científicos — para se aproximar da verdade dos fatos. É certo que, em alguns casos, há uma metodologia muito parecida. O ficcionista, assim como o historiador, se apodera de informações significativas. No entanto, o produto da narrativa do ficcionista é diferente do produto da narrativa do historiador. Aquilo que há de imaginação imbricado num romance muda o sentido da narrativa que, como a do historiador, se quer fiel aos fatos. Isso porque o ficcionista, alterando situações, acrescentando personagens ou acontecimentos, dando atributos irreais a pessoas reais, termina por promover uma leitura diferente da do historiador. A leitura do historiador se pretende subordinada aos fatos; a do ficcionista transborda os fatos, forçando um outro tipo de percepção dos mesmos. A perspectiva do ficcionista é sempre a de ir além dos fatos, captando as possibilidades ou potencialidades deles. Isso não deixa de enriquecer a(s) leitura(s) do real. E é também a forma específica de a literatura representar o real. (Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, e no Correio das Artes, de João Pessoa. Para ler as demais colunas, clique aqui)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 09h19
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Breve comentário crítico O ROMANCE DOIS RIOS, DE TATIANA SALEM LEVY 
por Rinaldo de Fernandes O romance Dois rios (Ed. Record, 2011), de Tatiana Salem Levy, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura de 2008, com A chave de casa, investiga a infelicidade e as paixões dos irmãos gêmeos Joana e Antônio. Joana apagou-se na existência após a morte do pai, com o desmoronamento da família, definitivamente apartada. Só lhe restaram as imagens da infância feliz ao lado de Antônio, as recordações das férias de verão em Dois Rios, na Ilha Grande. Joana empareda-se em Copacabana com a mãe decadente, neurótica. Joana e sua vida infecunda, imóvel e escura como o apartamento. Joana e sua culpa intransponível. Até que aparece Marie-Ange, a francesa que põe o mar e um horizonte à sua frente. Marie-Ange a salva das sombras, fazendo-a deslizar para a luz. Joana apaixona-se pela outra. Vence a culpa, abandona a mãe, e parte com a companheira para uma ilha francesa. A paixão lhe vem como um surto impossível de prever, como também imperioso de provar. Joana e Antônio são iguais e opostos. Antônio, o pai morto, se desprende de Joana e da mãe. Percebe, resoluto, que os laços se romperam – e se retira, buscando pelos caminhos do mundo (é fotógrafo) uma felicidade que só encontrará nos braços da mesma Marie-Ange, que conhece em Paris, no metrô. A ambígua Marie-Ange. Dois irmãos gêmeos que se apaixonam pela mesma mulher. E que, rios reversos, definitivamente se desencontram – um vem, a outra vai. Um opta pela retirada e, no fim, o retorno à vida familiar. A outra escapa da escura existência perto da mãe para encontrar o sol e viver um enigma. O enigma Marie-Ange. Tatiana Salem Levy escreveu um romance exato, diria impecável, acerca dos elos que, partidos, resultam perdidos.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 20h21
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Informe FILME BASEADO NO CONTO “DUAS MARGENS” TEM SUA PRIMEIRA EXIBIÇÃO

"Duas margens" integrou a coletânea Contos cruéis (Geração Editorial, 2006).
Teve sua primeira exibição, hoje, às 10h00, no auditório da Unidade Acadêmica de Arte e Mídia, da UFCG, o curta de Ian Abé baseado no meu conto “Duas margens”, do livro O perfume de Roberta, de 2005, e reeditado na coletânea Contos cruéis, que organizei em 2006. O curta se intitula “Cova aberta” e deverá, no próximo ano, concorrer em festivais pelo país afora. Ian Abé teve este ano um filme selecionado para a Mostra de Ouro Preto (MG). Para acessar o site do curta “Cova aberta” é só clicar aqui.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 16h57
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Informe NOVOS LANÇAMENTOS DA EDITORA HORIZONTE

Recebo e-mail da Eliane Alves de Oliveira, da Editora Horizonte, de Vinhedo (SP), informando sobre dois novos lançamentos: Da critica genética à tradução literária: uma interdisciplinaridade de Marie-Hélène Paret Passos. 160 páginas 16x23. ISBN 978-85-99279-33-5. R$39,00 Resumo: Marie-Hélène Paret Passos, neste seu livro de estreia – Da crítica genética à tradução literária: uma interdisciplinaridade –, teceu de maneira brilhante e inédita a rede teórica para um processo de tradução que leva em conta a tradução teórica e prática, fundamentalmente aliada à crítica genética, o que permite ao leitor-tradutor-escritor abranger também o processo criativo do original, trazendo para o texto literário a escritura, o estilo, a cultura e a própria singularidade da obra. Todo o aparato teórico elaborado pela autora é aplicado nas Anotações para uma estória de amor, encontradas no acervo de Caio Fernando Abreu, a fim de demonstrar pela crítica genética o processo criativo e escritural do conto inédito “Uma estória de amor”, o que exigiu ainda maior critério para a compreensão da gênese do texto. Este livro é altamente recomendado para todos os que usam a tradução, a literatura e crítica genética como ferramenta de trabalho e de estudo. Materialidade e virtualidade no processo criativo org. de José Cirillo e Marie-Hélène Paret Passos. 128 páginas 16x23 ISBN 978-85-99279-34-2 R$36,00 Resumo: Os arquivos e documentos da criação de escritores, artistas e cientistas são fontes para a crítica e para a história dos processos vividos pelo homem no desenvolvimento do seu conhecimento, na constituição de sua cultura e na definição de sua dimensão coletiva que o organiza como sociedade. Assim, um novo olhar se direciona para os rascunhos, maquetes e esboços de artistas, como também para os arquivos da literatura, para a filologia e crítica literária, ou ainda para aqueles gerados pelos criadores das ciências em geral, nesse livro encontramos artigos de diversos pesquisadores sobre crítica genética. Editora Horizonte (clique aqui) Rua Geraldo Pinhata, 32 sl 3 13280-000 Vinhedo SP (19) 3876-5162
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h16
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Coluna Rodapé Nov./2011 O NAMORO DAS PÁGINAS: LITERATURA E HISTÓRIA (1)

O passo inicial na comparação da literatura com a história deve ser dado no sentido de tentarmos entender a natureza discursiva das mesmas, procurando, por um lado, estabelecer diferenças e, por outro, possíveis semelhanças entre esses tipos de discurso. No que diz respeito à literatura, podemos nos valer da teoria dos gêneros para tentar conceituar, com algum critério, o que é a sua natureza. Talvez a teoria dos gêneros não possa dar conta de certos textos, notadamente da modernidade — em que há, deliberadamente ou não, mistura de gêneros —, mas é certo que ela ainda nos auxilia na decifração do que venha a ser o discurso literário. Anatol Rosenfeld (in: O teatro épico. São Paulo: Perspectiva, 1985) chama a atenção para o fato de que, embora tenha sido contestada através dos tempos, a teoria dos gêneros literários continua válida. Ela é um tanto artificial e não deve ser vista como um “sistema de normas”, mas como uma conceituação que dá conta das “arquiformas” ou das formas literárias que permaneceram ao longo da história. E essas “arquiformas” (os gêneros propriamente dito) não são puras: “Por mais que a teoria dos gêneros, categorias ou arquiformas literárias, tenha sido combatida, ela se mantém, em essência, inabalada. Evidentemente ela é, até certo ponto, artificial como toda a conceituação científica. Estabelece um esquema a que a realidade literária multiforme, na sua grande variedade histórica, nem sempre corresponde. Tampouco deve ela ser entendida como um sistema de normas a que os autores teriam de ajustar a sua atividade a fim de produzirem obras líricas puras, obras épicas puras ou obras dramáticas puras. A pureza em matéria de literatura não é necessariamente um valor positivo. Ademais, não existe pureza de gêneros em sentido absoluto”. Daí Rosenfeld dizer que há um “significado substantivo” dos gêneros (o gênero que predomina num texto literário) e um “significado adjetivo” (traços estilísticos de outro gênero presentes no texto). Assim, por exemplo, não há romance (que é do gênero épico ou narrativo) que não contenha algum traço lírico ou dramático; não há poema lírico que não traga alguma marca épica ou mesmo dramática; e não há texto dramático que não incorpore elementos épicos ou ainda líricos. Dizendo melhor: num romance, o que predomina é o narrativo (significado substantivo), embora haja componentes líricos ou dramáticos (significado adjetivo); numa canção, é o lírico que prevalece (significado substantivo), sendo que o narrativo ou o dramático também ocorrem (significado adjetivo), etc. (Minha coluna de crítica publicada mensalmente no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, e no Correio das Artes, de João Pessoa. Para ler as demais colunas, clique aqui)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h21
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Resenha SILÊNCIO N’O PERFUME DE ROBERTA
por Renato Tardivo* A coletânea de contos O perfume de Roberta (Garamond, 2005) é fundamental para a literatura brasileira contemporânea. O livro consolida o autor Rinaldo de Fernandes – professor da UFPB e escritor – como um dos melhores contistas brasileiros em atividade. O prefácio, assinado pelo mestre Moacyr Scliar, destaca os elementos centrais da prosa de Fernandes: a violência e a transgressão entrelaçadas ao lirismo. Por isso, quem pensa que Rinaldo de Fernandes é mais um dos autores da moda, a se valer inadvertidamente da violência e da banalização do mal, está redondamente enganado. Há, em seus relatos, a poesia, o fantástico, o sublime: “tudo se mistura, apaga e clareia”. Em “Ilhado”, conto de abertura – do qual a citação acima foi extraída –, o narrador, que assiste ao enredo à meia distância, acaba por misturar-se à história de corpos dilacerados e, um tanto à revelia, de um restaurante à beira-mar, (des)encontra-se numa ilha. Em “O cavalo”, o narrador voyeur marca presença novamente: “Com a insônia [...] atravessei a sala, aproximei-me da varanda do apartamento, fiquei olhando a noite”. O cavalo da história aparenta-se, em alguma medida, à cachorra Baleia de Vidas secas. Mas a miséria aqui é outra – não é aquela rachada pelo sol. Trata-se da miséria que, a partir de casas e apartamentos de classe média, ganha a orla com ares fantásticos. E a história que se descortina é fruto do olhar do narrador, que (no mínimo) estava lá testemunhado-a, ainda que o próprio se defenda: “resolvi que não ia me meter nisso, pra quê? Quero é meu sossego”. Ironicamente, os narradores d’O perfume de Roberta, à ânsia de “não se meter”, é que se metem. Daí o impacto provocado por seus relatos. Tome-se “A morta”, conto no qual um pequeno grupo de amigos vai à praia em busca de sossego. O título da história, contudo, já dá mostras de que coisa boa não vem por aí. No fim, cabe ao narrador-personagem o desassossego de exacerbar o enigma, ao invés de solucioná-lo: ele enterra “a chave da casa”. Em “O perfume de Roberta”, que dá título ao livro, o narrador-personagem escapa de casa pelas frestas da madrugada, levando a tiracolo “o casaco, a calça, e o perfume de Roberta”, sua filha. Errando por ruas de São Paulo, sabe bem onde encontrar o que procura. O corpo da mulher da vida, da cidade, das ruas, cheira ao Rio Tietê. “Ela tem as coxas apertadas na calça de Roberta – e permanece calada.” O mau cheiro paira no ar o tempo todo – desde o instante em que, sorrateiro, o narrador-protagonista arromba às avessas sua casa com os trajes e perfume da filha, até saciar literalmente a fome da moça miserável – que ele perfuma e veste de filha – e a sua própria. Ambas as fomes, cada uma ao seu modo, são perversas. Não passam. Seu roteiro não se renova: “Ela já se habituou a todo final de noite me devolver a roupa e o perfume de minha filha”. A podridão que triunfa, afinal, sempre esteve presente: “do Tietê sobe o mau cheiro”. As histórias de Rinaldo de Fernandes lançam luz aos excluídos, aos marginalizados. Seus textos são arrojados, agressivos – fortes. As personagens vomitam palavrões. Os conflitos, contudo, não se resolvem: não se trata, por um lado, de justificar os atos perversos das personagens, vitimizando-as simplesmente, como tampouco, por outro, de empreender uma espécie de redenção mítica. Os contos de O perfume de Roberta reinauguram a seguinte questão existencial: a história que se passa diante dos nossos olhos é 1) inventada por um outro, ou 2) somos nós que, ao testemunhá-las, as criamos? Dessa angústia, capturadas pelas duas margens, padecem as personagens – e, por extensão, o leitor. “Duas margens”, diga-se, é um dos contos mais perturbadores produzidos em língua portuguesa nas últimas décadas. E, de certa forma, a narrativa é emblemática do conjunto que compõe O perfume de Roberta. A narradora-personagem – lembremos que o feminino marca presença no título do livro, assim como ocorre no romance do autor, Rita no pomar (7Letras, 2008) – pega a estrada, entre o areal, os cajueiros, o rio. Para em um bar. Pede uma cerveja – “mas por que faço isso, se não posso beber?” – e uma “porcaria” de batata frita, cujo “fiapo” come “sem sabor”. Sentada no bar, ela se encontra aparentemente ensimesmada, toda incompreensão diante do que lhe fizera o marido. Mas a aparição de outra mulher, com uma criança no colo, a captura. E muda o destino da história. Diferentemente do que ocorre na maioria dos contos, em “Duas margens” o desfecho revela. No entanto, trata-se de revelação acachapante: um nascimento às avessas, literalmente; um murro no ventre. Não há apaziguamento senão desconcerto. E o desconcerto implicado na busca por constituição – na luta pela existência, por que não dizer? – tem sido uma constante na ficção de Rinaldo de Fernandes. Com efeito, a (alta) qualidade de seus textos repousa no fato de eles não responderem a questão. Ou, quando o fazem, é a fim de (com sucesso) multiplicá-la, de modo a elevar a linguagem, como queria Merleau-Ponty, ao silêncio. * Renato Tardivo é escritor e psicanalista. Autor do livro de contos Do avesso (Com-arte) e de Porvir que vem antes de tudo – literatura e cinema em Lavoura arcaica (Ateliê Editorial/Fapesp, no prelo).
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 19h57
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Conto O ANIVERSÁRIO DAS AREIAS

por Rinaldo de Fernandes para Luiz Ruffato, que gosta deste conto As areias aniversariam. Foi assim que André falou para Rita, sua mulher, depois de voltar de uma noite de farra. Ele disse que saíra do trabalho com alguns amigos e que tinham ido para a praia. Ali vira o aniversário das areias. - Mas que diabo de areia é essa, André? - perguntou Rita. - As areias, mulher. As areias que existem em toda parte. - Que besteira. Tu andava era com mulher por aí! André não disse nada e foi para o banho. Enquanto o chuveiro cuspia água forte, Rita na sala bradava: - E esse cretino agora deu para chegar de manhã em casa. Tu me paga, viado! Terminado o banho, André vai para a mesa, tomar café. A mulher se senta diante dele, a cara fechada, os dedos tremendo e batucando na mesa: - Canalha! André pega o biscoito, passa manteiga. Diz para a mulher: - Você precisa ter calma, Rita. Eu não posso sair uma noite com os amigos? - Não! Eu fico aqui mexendo em panela, varrendo o diabo desse quintal, sem poder estudar direito pro concurso! Onde já se viu mulher ficar ainda nessa? - Uma vez só, Ri? - Sacana! André quebra o biscoito, molha-o no leite. Coça o braço olhando pela janela o pardal que terminou de assentar no muro. Olha o terreno baldio distante, onde um trator raspa os entulhos e o barro avermelhado. - Pois eu vi ontem o aniversário das areias - suspira André. - Deixa de maluquice, Demônio! - Eu vi. A lua estava bonita e as areias aniversariaram. O pessoal que andava comigo já tinha saído. Só eu e um casal ainda ali no bar vimos. Nunca vou me esquecer daquilo, mulher. - Tu andava com quem? - Com o Marcos e o Lucas. E também o chefe com a esposa dele. - Eu logo vi. Aquele Lucas não tem o que fazer, larga a mulher. Agora anda na farra. E puxando os outros! André se levanta da mesa, vai para o sofá. Deita-se, pega a almofada, coloca-a debaixo da cabeça. - Eu não vou lavar xícara tua, não! - diz Rita.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 23h18
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André se ergue, vai lavar a xícara. Limpa bem a pia. A mulher se encosta na mesa, olhando-o com desdém: - Aniversário das areias, onde já se viu isto? - Você não acredita, mas é verdade - diz André, enxugando as mãos na toalha. - Foi uma das coisas mais bonitas que eu já vi. Nisso, a campainha toca. É o carteiro, que entrega um telegrama para Rita. Ela abre, vê a frase: "Parabéns por ter vindo ao aniversário das areias". Rita, não conseguindo identificar quem enviou o telegrama, se exaspera: - Quem foi que mandou isto? André olha pela janela o trator virando o barro, os carros passando adiante, na avenida. - Não sei. Quem mandou isso, eu não sei. Você não está lendo aí? Rita rasga o telegrama: - Viado! De novo com as dele! Há muito barro por ali. Muito barro mesmo. E André olha pensativo para o trator, a mulher ao lado observando-o. Talvez agora André se lembre de detalhes. Se lembre bem do branco da noite anterior. Se lembre bem do aniversário das areias.
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 23h06
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Folha de S. Paulo USP

por Rinaldo de Fernandes (in: Folha de S. Paulo, Painel do Leitor, 9/11/2011) Se a Polícia Militar e outras forças da ditadura não tivessem invadido campi universitários, como ocorreu na própria USP em 1968, essa memória não nos pertenceria, mas ela nos pertence. Portanto, tudo é muito simbólico no caso das últimas reivindicações estudantis na USP. Os alunos protestam não só contra a presença de policiais no campus mas, sobretudo, por causa de uma memória de violência e truculência que eles, democraticamente, repudiam e da qual a PM é emblema, é símbolo mesmo. Eis a raiz do impasse.
(Para ler o texto na Folha de S. Paulo, clique aqui)
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 06h29
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Bienal da Bahia
O CONTO NA BIENAL DO LIVRO DA BAHIA Antologia que organizei em 2008 para a Geração Editorial (SP) Na Bienal do Livro da Bahia, de onde acabo de chegar, mais uma vez fiquei entusiasmado com a força e o consequente interesse do público pelo conto. O debate comigo e o escritor baiano Ordep Serra, com mediação do carioca Silvino Bastos, lotou a sala do Café Literário de gente de todas as idades - professores, estudantes, jovens autores. Discutimos a tradição do conto, aspectos teóricos do gênero, processo de criação, conto contemporâneo (em torno do qual já organizei três antologias - Contos cruéis, Quartas histórias e Capitu mandou flores), conto e crônica, conto infantil e conto adulto. Apresentei ainda - de modo didático - as vertentes do conto atual a partir do meu ensaio "O conto brasileiro do século 21", publicado em março de 2010 no jornal de literatura Rascunho, de Curitiba. O publico gostou muito - tanto que tivemos que ultrpassar um pouco o limite do tempo. Revi os bons amigos Carlos Ribeiro (contista e romancista) e Aleilton Fonseca (também contista e romancista), com suas respectivas companheiras, e conheci a figura agradável do poeta Cajazeiras Ramos. Revi e cumprimentei ainda o contista Marcus Vinícius Rodrigues. Excelente a estrutura/logística dada aos autores que participaram da Bienal. Maravilha! Estão todos de parabéns!
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 10h59
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Informe ENSAIO NO RASCUNHO SOBRE LUKÁCS E LIVRO SOBRE EUCLIDES

O jornal de literatura Rascunho, de Curitiba, do qual sou colunista há 8 anos, traz na edição de novembro o meu ensaio “O Herói do Meio” (clique aqui para lê-lo). O ensaio trata da teoria do romance histórico de Georg Lukács. Fico contente com a editoria por ter divulgado o ensaio nas redes sociais, como chamada para a edição deste mês do jornal. Recebi da Pró-Reitoria de Cultura da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG) três exemplares do livro Euclides da Cunha: cem anos sem, organizado por José Alberto Pinho Neves e Nícea Helena Nogueira. O livro resultou de seminário do qual participei, em 2009, junto com Luiz Costa Lima, Daniel Piza, Flávio R. Kothe, Aleilton Fonseca e Marcos Rogério Cordeiro. Diferentemente do que eu havia anunciado aqui no blog, o meu ensaio que consta do livro é “A Canudos de Vargas Llosa” e não o “Euclides da Cunha: itinerário de um ‘evolucionista’ e ‘revolucionário’”, também publicado em MG, mas na revista acadêmica Verbo de Minas: Letras, do Centro de Ensino Superior de Juiz de Fora (para acessá-lo, clique aqui).
Escrito por Rinaldo de Fernandes às 12h20
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